terça-feira, 27 de agosto de 2013

Poetas Paraibanos - 5 poemas - Correio das Artes - 2008

POEMAS

5 poemas paraibanos
Amador Ribeiro Neto

cabaceiras
 
dia
cinco
começa

§
único
alguidar
cheio

] farinha [
] carne de sol [
] creme de leite [

deus
nOs
acuda
O
restO
dO
canO

muriçocas de miramar
foco teu carnaval
focas meu carnaval
ardes carnes
ardemos
vara
varal
 

são joão de teixeira

eu sabia não sabia
deveria
saber já sabia
toda
via
na hora agá
embaraçou
o fundo da
rede das minhas idéias
e foi vacilo
agora
só me resta a
poesia
desta noite fria de junho
e lá lounge
bem no alto
bandeirinhas fogueirando
festas pros ventos
volpis
 
lagoa de joão pessoa

e
se um dia eu carregu
ei girafas no bol
so nem me lembro m
ais o certo é que hoj
e quis embolsar um casal del
as e tive a maior dificuldad
e

e
uma vazava pelos pés outr
a escorregava no pescoço d
a outra e eu  e eu ali sozinh
o com as mãos ao vento da noit
e escondendo meu rombo zôo
lógico é ev(id)ent
e

feira de campina grande
para roberto coura
na feirafebres uminha no meinho inúmeras meações: os olhos do foto-grafo: déjà-vu  chinfrim reles-mesmo costumeiro: como? assim: sendo como se  víssemos pela primeira vez: olhos transladados no escuro ampliam nossoutras percepções y desautomatizam vosssoutro olhar. fiat lux: delirar com a dança lisérgica das alfaces. chove-chuva das cores vegetais verduras & frutas. sobe-&-desce    )laça&deslaça(    das linhas semi-impalpáveis das escadasesfoladas. lonas dos tetosbarracas: faíscas de fogueiras fuzilando balcões da feira: ah percussão da luz: moto-contínuo-motor-refletindo & refratando baticum no alumínio das canecas & funis & panelas & lamparinas. a escultura frágil-volátil do algodão rosa: desmaterialização da obra de arte convertida em comilança cotidiana: festafina das crianças. contraponto dos volumes escalas direções gráficas: labirinto metálico dos pregos parafusos trincos tralhas dobradiças: cópula metálica de cores & sons & sentidos. os queijos-livros nas prateleiras-estantes para o palrar & paladar das facas dos sab(o)(e)res. nos poleiros: perus amostrados: felizes da hora: néscios do pouco a pouco daqui a pouco-panela. visagensvirtuais: sandálias coloridas nas bancas vazias: a rua asfaltada se alonga dentro do silêncio: passos para pés deste & doutros dias. linhas espirálicas do jerimum caboclo se-retorcendo-se: primeiros raios do dia. névoa. fumaça. de repente: splum: clarão do dia. pipOcaestOura a feirafesta em cOres sOb Os OlhOs de cOura


 Escrito por Correio das Artes às 09h25
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Uma Lenda do povo Caiapó em versos do cordel - Johniere Alves Ribeiro - Correio das Artes


Assista um pouco da cultura caiapó, em uma história contada pelo grupo do “ Baú de Histórias”.  






LITERATURA

Uma Lenda do povo Caiapó em versos do cordel

Por Johniere Alves Ribeiro


Afirmar que Manoel Monteiro é um excelente poeta e que seus cordéis têm uma grande importância para Cultura Popular na atualidade não é novidade alguma. Por isso queremos apresentar aqui mais uma bela história recriada pelo vate: “Uma lenda do povo caiapó”. Cordel que nos demonstra a capacidade que Manoel tem em recontar histórias e o quanto é vasta sua bagagem e nível intelectual, qualidade de quem não é só um poeta popular, mas acima de tudo um grande leitor e pesquisador. Este perfil faz com que o poeta tenha uma maior facilidade em adaptar as mais variadas histórias do mundo mágico e do maravilhoso para o não mais que fantástico folheto de feira.      
O cordel foi impresso em oito folhas e por isso pode ser classificado como folheto. Nele observamos uma linguagem aproximada da coloquial, o que faz com que a leitura se torne mais fluída e prazerosa. É certo que Manoel, como já citamos acima, “gasta” tempo lendo e tem contato com os mais variados tipos de textos, seria impossível não encontrarmos em alguns de seus versos a presença de vocábulos inerentes à norma culta da língua.
Na capa do folheto encontramos uma bela xilogravura de Jô Andrade, logo abaixo do título e nome do autor, não é nosso intuído analisá-la, contudo não poderíamos seguir nossa leitura do folheto sem mencionarmos o que ela nos apresenta, até porque acreditamos que as capas das histórias do cordel tem muito a nos dizer. Jô Andrade nos apresenta a figura de um índio e seu olhar é de tristeza. Ao fundo vê-se um desenhos que lembra o mapa de nosso país e mais atrás, na parte que representa o litoral de nosso país, nota-se o desenho de uma das embarcações de Cabral. Este quadro descrito pelo artista Jô, representa o fatídico episodio da invasão européia e em nosso país e o olhar triste do índio nos antecipa o desfecho cruel das nações indígenas pré-cabralina aqui existente. Fica-nos claro a sensibilidade do xilógrafo, pois sua imagem neste folheto não é um mero acessório, mas sim parte integrante da história que será posta pelo poeta, enfim, sua xiló acaba se tornando uma porta aberta para uma maior compreensão do que aconteceu ao povo caipó. 
O enredo, reinventado por Manoel Monteiro, é apresentado em trinta estrofes de seis versos – sextilhas -, e estes apresentam dez sílabas poéticas. Logo no início do folheto, o poeta faz questão de frisar que temos lendas belíssimas e que estas não deixam a desejar as existentes em outros países, com este espírito “nacionalista”, mas sem beirar o barrismo, ele faz um confronto entre nossas lendas e as estrangeiras e lista algumas delas, como é o caso do Lobisomem, Saci, Boto-cor-de-rosa, etc. Em contra partida Manoel também nos lista as histórias que dão base de sustentação das clássicas histórias infantis: Branca de Neve e os setes anões, Aladim, O gatos de botas, dentre outras.
Assim, fica notória importância que este cordel tem, para a valorização de nossos contos e lendas populares, percebemos que o poeta, ao recontar tais histórias, nos oferta a capacidade de repensar nossa própria vivência com o mundo mágico inerente aos folhetos.
As estrofes, que leremos a seguir, são apenas três das sete que introduz a lenda aqui em questão, elas seriam uma espécie de preparação, momento em que o contador procurar prender atenção do seu ouvinte até que chegue ao ponto exato do inicio do enredo. Vejamos então, como Manoel Monteiro contextualiza sua história e como fica clara a idéia de comparação entre nossas lendas e as européias.

No Brasil a gente não precisa
copiar em nada outras nações,
porque temos tudo, e sendo estórias
nós as temos que vêm  de gerações,
por isso, talvez nem careçamos
de Branca de Neve e seus anões.
Nem de Ali Babá  e seus ladrões,
minaretes, oásis, najas, tenda,
porque falar disso, se nós temos
os folguedos de roda e as parlendas
os encantos do boto-cor-de-rosa,
a cobra-sem-cabeça e outras lendas?
Não por é por orgulho, me entendas
mas olhando em volta por aqui
tem gnomos pra todas as idades,
da Mão d´água na rio logo ali
deu uivos do bicho Lobisomem
às diabruras do peraltas do Saci. ( p.1)     
 
O poeta inicia enredo, propriamente dito, na terceira página, afirmando que o povo caipó vivia num paraíso, onde tudo era perfeito, e todos estavam em harmonia com a natureza e em união social. Este lugar ideal se localizava sob as nuvens. Todavia, num certo dia, alguns índios, curiosos, observaram uma fenda entre as nuvens e por esta fenda notaram que existia um outro mundo lá em baixo. Tal visão, inesperada, causou um desejo enorme de conhecer este novo mundo. Começaram a descer e assim os índios foram povoando este planeta, até que um sábio ancião, sabendo do perigo que aguardava os que para lá desciam e com medo do que podia acontecer com os que não tiveram a oportunidade de descer também, logo retirou a escada e tapou a fenda das nuvens, impedindo o êxodo de todos da tribo para esse “novo mundo” de baixo.
No início tudo lá embaixo era uma beleza, até um dia chegou o homem branco, na nova terra habitada pelos caipós, destruindo toda harmonia que eles também conseguiram estabelecer neste planeta. Este invasor poluiu os rios, o ar, desmataram as florestas o que ocasionou um total descontrole da natureza e da paz anteriormente adquiria por tal povo.  Assim, o povo caipó sentiu uma extrema falta do paraíso em que viviam e tiveram vontade de voltar para lá, mas não podiam porque a escada que dava acesso havia sido retirada há muito tempo e a volta já era impossível, só restava olhar para o as nuvens do céu e as estrelas: Hoje vendo estrelas cintilantes/ nelas vêem a maloca iluminada/ e lamenta a hora de ter vindo / povoar este terra desgraçada/ mas não podem voltar ao paraíso/ as escada de volta foi cortada. (MONTEIRO, p. 06)  
Como pode-se perceber, esta lenda do povo caipó converge para outras duas histórias. A primeira está relacionada ao Gênese bíblico e ao paraíso edênico, que representa a pureza da humanidade, seria o mito da Idade de Ouro amplamente divulgado em várias comunidades primitivas ao redor do mundo. A segunda história está interligada a do descobrimento/invasão do europeu e do homem branco de modo geral, que ainda hoje continua explorando o índio. Isto se pode observar melhor nos seguintes versos:

As floresta de ontem, belas, densas,
pejadas de frutos saborosos,
o ouro dormindo sob o leito
dos rios límpidos e piscosos,
tudo isso lhes foi subtraído
pela gana dos brancos criminosos.
Se dizendo cristãos, mas rancorosos
atiravam ao fogo os discordantes, 
dos milhões de índios que haviam
sob o jugo de leis escravisantes
os poucos restantes nem parecem
os mancebos viris que eram antes.
[...]
O canto tribal hoje é bala
e lamentos do fim de uma raça,
a água é suja, o ar é denso
com cheiro de fogo e de fumaça,
não há peixes nos rios poluído,
não tem flores, por isso não tem caça. 
Dia a dia aumenta a ameaça
contra um povo outrora tão feliz
filhos natos da Terra brasileira
e legítimos donos do País
usurpados por uns 500 anos
esta história é real,mas ninguém diz.
( MONTEIRO, p.07)  
 
Além das histórias acima relacionadas, por meio deste folheto podemos perceber que o poeta retoma o mito do velho sábio, elemento muito recorrente nas tribos indígenas. Isso pode ser notado primeiro durante o decorrer da história, pois é o velho sábio que no passado evita desgraça maior, fechando a fenda entre as nuvens e retirando a escada, como também é um velho da atual tribo que contou tal lenda ao narrador: Falar nisso, lhes peço, escutai/ uma estória que lembro no momento/ ouvi dum índio Caipó/ que sentado ao chão falava lento/ do começo do mundo, e como o homem/ cá chegou, quis saber, fiquei atento. ( MONTEIRO, p.03)  
Outro elemento que nos chama atenção neste folheto é o poeta consegue unir dois gêneros literários que tem por base a oralidade: o folheto de cordel - que já foi puramente oral -  e a lenda indígena. Esta contada, como vimos, por alguém mais experiente da tribo que sob a luz da lua e do fogo tentava explicar os mistérios do mundo ao seu povo. O poeta, mesmo que indiretamente, faz menção a este aspecto logo no inicio do folheto, na sétima estrofe, quando diz: A herança oral dum povo é esta/ que vem vindo de boca em boca e vai/ povoando à mente das pessoas/ hora ensina, hora alegra, hora distrai/ por isso hoje conto ao filho meu/ o que um dia contou meu velho pai.” (MONTEIRO,p.02)   
   Portanto, fica prova e comprovada a capacidade de reconta história, a qualidade e a seriedade com que o poeta Manoel Monteiro tem, de modo que de folheto em folheto ele mesmo vai povoando à mente de seus leitores e nos brindando com belíssimas histórias.
                        
Johniere Alves Ribeiro é Mestrando em Literatura e Interculturalidade. Professor de Literatura


 Escrito por Correio das Artes às 09h30
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"Só a Paraíba não viu Ariano" - LEIA URGENTE

É incrível como a Paraíba é, muitas vezes, ingrata com seus artistas ou com aqueles artistas que escolheram este “ sublime torrão” como morada. Foi o que aconteceu com a peça teatral “Ariano”, escrita por Gustavo Paso e Astier Basílio, texto que ganhou alguns prêmios, que rodou o eixo sudeste, mas que nunca foi exibida na terra onde Ariano Suassuna nasceu  e onde residiu – por muito tempo – ao menos um dos seus produtores: Astier Basílio, filho do poeta Tião, que tinha um programa em uma rádio local, dedicado a cultura popular: “Retalhos do Sertão”.
Ainda bem que temos jornalistas como Linaldo Guedes, que não deixou passar em branco e publicou uma entrevista sobre o tema no ano de 2008.
Leia   com atenção !
Johniere Alves ribeiro   
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Só a Paraíba não viu Ariano
Por Linaldo Guedes
Gustavo Paso é o diretor e um dos autores do texto da peça “Ariano”, que estreou ano passado no Rio de Janeiro e saiu em excursão por algumas cidades do Brasil. Como o próprio título sugere, a peça conta a trajetória do escritor e dramaturgo Ariano Suassuna, que ano passado comemorou os 80 anos em plena atividade, recebendo homenagens do país inteiro.
A peça tem co-autoria do jornalista, poeta e dramaturgo Astier Basílio. Seu elenco conta com vários atores nordestinos. E fala sobre o grande escritor paraibano. Mesmo assim, ainda não foi contratada para se apresentar na Paraíba e no Nordeste. Gustavo conta que já foram feitas gestões neste sentido, mas nada de concreto.
Enquanto isso não acontece, Gustavo vai alinhavando outros projetos. Um deles, chamado “Bodocongó”, que pretende fazer na Paraíba também Astier Basílio. Já no Rio de Janeiro, pensa em adiantar uma versão de Otelo de Shakespeare para estrear ainda este ano. Nesta entrevista, Gustavo fala a esperança de trazer a peça à Paraíba e fala sobre o sucesso do espetáculo.
Gustavo, como surgiu a idéia de montar uma peça sobre Ariano Suassuna?
Do simples desejo de se encenar uma obra de Ariano, de início “A Pedra do Reino...” era o objetivo, mas quando soube que Antunes estava trabalhando buscamos outros caminhos, e o prefácio e posfácio da edição da obra me chamaram atenção para a obra poética de Suassuna. Quando recebi de seu genro o cd Vida Nova Brasileira, afirmei aos meus: “O caminho está na poesia de Ariano!”. O que nos encanta é que hoje no espetáculo todos os personagens que encontram ARIANO dizem a ele: “A SAIDA ESTÁ NA POESIA!”
Como você e Astier cotejam a parte biográfica na dramaturgia?
De forma poética. Abordamos fatos que ocorreram em sua vida privada com muita delicadeza. Escolhemos a música, por exemplo, para representarmos a perda de seu pai, assim como o reencontro, poético, como o mesmo. Isto tudo com muito carinho. Sempre afirmávamos um para o outro: não estamos aqui para falar de nenhum assassino.
E o contato com Astier Basílio, co-autor do texto, como aconteceu? É verdade que vocês se conheceram via internet?Nos conhecemos através de um ensaio que ele escreveu sobre Ariano Suassuna que a atriz da nossa cia teatral Luciana Fávero leu na internet, eu estava muito avançado na pesquisa acerca da vida e obra de Ariano, com inúmeros livros, conversas com Carlos Newton Jr, que para nós foi importantíssimo neste processo, e ainda não tinha começado a escrever a peça de fato. Convidei alguns dramaturgos, vamos dizer “de ofício”, mas todos estavam ocupadíssimos. Ao ler o ensaio de Astier reconheci ali o profundo conhecimento e intimidade com a obra de Ariano e sua importância. Entrei em contato. Escrevemos a quatro mãos e só nos conhecemos no dia 21 de abril. Quando ele esteve nos ensaios aqui no Rio de Janeiro.
De que forma está estruturada a peça?Nas influencias de Ariano. Isto é o que mais nos guiou. Podemos dizer que tecnicamente a Divina Comédia nos “estruturou”, pois a peça está dividia em Sol (inferno), Sangue (purgatório) e Sonho (paraíso), mas estamos impregnados da formação literária de Ariano.  Alguns dizem que não é preciso conhecer a obra de Ariano para gostar, mas se se conhece reconhecerá o valor da obra, pois há na peça informações que servem a ela como história de ficção, porém vão além pois são informações bem mais profundas.
Qual o resultado deste seu profundo encontro com a vida e obra de Ariano Suassuna?
Em dois anos de encontros com sua vida e obra entendi e amo mais o Brasil. Ariano é uma lição de brasilidade. Tudo o que diz deveria ser ecoado... se tivéssemos mais uns 4 parecidos (vivos), estaríamos mais bem protegidos culturalmente. E aprenderíamos mais sobre o Brasil. Quantos conhecem profundamente quem foi Aleijadinho?
Como foi formado o elenco da peça?
Posso afirmar a você que NÃO HÁ TECNOLOGIA MAIS AVANÇADA DO QUE O ATOR! Vou atrás desta tecnologia de ponta! Mesmo conhecendo muitos atores, excelentes atores inclusive... gosto de fazer sempre uma audição quando o elenco a ser formado passa de 4 ou 5 artistas.  Só convidamos, fora da cia, o Gustavo Falcão para fazer o Ariano, um dos melhores atores do Brasil, de sua geração.
Alguma razão especial para realizar audições?
Novas pessoas... novas experiências... Tem muita gente boa que quer desenvolver um trabalho de cia, um trabalho sério, de longo prazo. Os profissionais requisitados às vezes não tem tempo de ensaiar 3 ou 4 meses... por exemplo. Há também de nossa parte o intuito de investir em artistas que possam vir conosco, seguir em frente.
Ariano chegou a ver o espetáculo? O que ele achou?
Não assistiu ainda... Confirmou presença quando formos ao Nordeste! Nos desencontramos duas vezes por cidades que ele visitou por conta das homenagens...
A peça vem recebendo elogios da crítica especializada, como Bárbara Heliodora, e de publicações como Bravo. Fale um pouco sobre essa recepção da crítica.
O que mais me move é a recepção do público, faço teatro para melhorar culturalmente o nível do meu país, sem nenhum tipo de demagogia, quem me conhece sabe que penso desta maneira. Este conceito está um pouco esquecido. Quero levar à cena espetáculos que possam melhorar este nível, há 20 anos tenho isto como meta: qualidade, in-formar com responsabilidade. Acho que o resultado da crítica especial, sim. Pois eles também reconheceram isto. Quando Bárbara Heliodora cita que o “Homenageado Merece!” nos deixa emocionados, assim como o reconhecimento da Bravo!, o Lionel Fischer que escreveu uma crítica apaixonada e sem dúvida do que viu, quando os meios de comunicação devotam seu apreço desta maneira, ficamos naturalmente felizes, com a certeza de que acertamos artisticamente...
A recepção do público, ao assistir o espetáculo?
Foi o alimento mais rico em vitaminas e proteínas que ingeri em 2007! Posso lhe dizer que sou a pessoa mais indicada para lhe dar este depoimento, pois vi todos os espetáculo até hoje! Viajo com a cia, estou todos os dias junto aos atores e técnicos. Presenciar a reação do público realmente está em outro nível, nós ouvimos “bis” e “bravo” em diversos finais de apresentações. Para mim é uma experiência nova que trouxe grande nível de satisfação, simplesmente porque nos dedicamos a construir uma obra nova, nunca feita, que resultou em uma homenagem em vida a um dos maiores nomes da cultura nacional, e o público ovacionou em todos os estados que estivemos.
Vocês estão fazendo excursão pelo Brasil, e além do Rio de Janeiro, Curitiba e São Paulo ainda vão a três estados. Quais são os estados e como está acontecendo esta excursão?
Com enorme dedicação e disponibilidade da cia. Somos uma cia de teatro sem subsídio para existir. As coisas acontecem muito porque o espetáculo repercutiu até fora do país. Tenha certeza de que onde estivermos com ARIANO sempre terá uma empresa ou governo local nos patrocinando. Assim foi nos estados que visitamos. Nós retornaremos com uma temporada de 2 meses no Rio, num teatro de mais de 500 lugares na Zona Sul, faremos Macaé (interior do Rio), e estamos acertando detalhes para voltarmos ao sul do país, Festivais na América do Sul e Europa, mais precisamente Portugal, e talvez Espanha. Mas tudo isto depende de investimento.
Por que a Paraíba, e o Nordeste, não está incluído no roteiro de excursão?
Hoje em dia se não tivermos uma pessoa cuidando para que o espetáculo visite a cidade sendo ela de um dos governos (secretarias de cultura) ou até mesmo produtor local, fica muito difícil. A outra possibilidade é o que estamos tentando há tempos, conseguir por nossa conta, daqui no Rio de Janeiro, empresas do nordeste ou estatais que queiram patrocinar esta nossa ida ao Nordeste.
No caso da Paraíba, vocês chegaram a fazer algum tipo de gestão para traze-la para cá?
Sim, recebemos alguns contatos mas eles não são, como dizer... inteiros. Nós sempre temos que completar com algo. No caso o mais complicado são as passagens. Mas acho que se alguns estados do Nordeste através de suas principais cidades se juntassem isto seria muito fácil. Sempre que nos voltarmos para a união dos povos conseguiremos grandes coisas, é tão simples e tão difícil, não é mesmo?
Depois da peça “Ariano”, tem projeto de uma outra montagem para este 2008?
Estamos empenhados em fazer intercâmbios. Realizaremos uma série de montagens teatrais de pequeno porte em um projeto de intercambio com autores contemporâneos da Europa e da América do Sul, e há um projeto chamado BODOCONGÓ, que quero realizar na Paraíba junto a Astier Basílio com atores daí. A dramaturgia seria feita por ele com minha direção, o processo de montagem “em processo” será com o mesmo conceito do ARIANO. Aqui no Rio podemos adiantar que uma versão de Otelo de Shakespeare estreará ainda este ano.

quarta-feira, 31 de julho de 2013

NIÓBIO é do Brasil ? - ACORDA BRASIL

Parece que o Brasil nunca deixará de ser um país da contradição. Somos ricos em matérias primas, que continuam sendo exploradas – principalmente e mais vezes por outros – e talvez nunca conseguiremos agregar valor  a algumas destas mercadorias, o que nos ajudaria a revender nossos produtos por um preço bem melhor. Mas, continuamos como em 1500: explorados por nações ricas; somos roubados por nossos políticos corruptos. Acredito que nenhum um país dito rico aguentaria tanto desfalque aos cofres públicos como nós, mas nosso povo continua não tendo acesso à saúde de qualidade, à educação de qualidade aspectos em nossos exploradores conseguiram fazer com equidade.
Diante disto assista o vídeo que segue e tire suas próprias conclusões. O mesmo tratará de do nióbio, o que será isto? Assista e veja o que é.


Johniere Alves ribeiro  
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Não podemos aceitar isso!!! Não sabemos por falta de informação!!! 
Lembremos de Enéias Carneiro...


terça-feira, 23 de julho de 2013

Game Designer? Saiba que profissão é essa


Segue uma matéria interessante sobre uma profissão que vem crescendo nos últimos anos. Confira e tenha mais uma opção de curso.
O texto também coloca abaixo a ideia que os games não levam a lugar nenhum.
Boa leitura!!!!



Johniere Alves ribeiro

 
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 Jovem empresário explica a profissão de Game Designer


O que um estudante na área de criação de jogos estuda?

Conteúdo
Módulo I - Explorando o Universo dos Games
- O Universo dos Jogos de Computador. O que é um Software de Entretenimento?
- Introdução, construção e utilização do GameMod.
- História dos Games de Plataforma e Plataforma do GameMod.
- Software de Entretenimento Não é Jogo de Azar - Produzindo Jogos Eletrônicos.
- A História dos Jogos de Computador - Produzindo Jogos.
- Introdução, criação, e produção da Arte Gráfica - Computação Gráfica I.
- Criando uma Atmosfera Visual - Identidade Visual.
- Estudos e Esboços - Planejamento Gráfico.
Módulo II - Projetando os Games
- Sonoplastia.
- Videogame Music – O Início - Videogame Music – O Presente e o Futuro.
- Parâmetros do Som.
- Utilizando o Software - Mãos à Obra.
- A Equipe que Produz os Jogos; Gerência de Projetos; Game Design; Arte Gráfica 2D e 3D; Sonorização dos Jogos; Programação
- Introdução ao Game Design. Jogabilidade.
- Criando a Interatividade de um Jogo. Game Design e Level Design
- Desenvolvimento de Personagens. Criando o Model Sheet.
Módulo III - Produzindo os Games
- Desenvolvimento de Ambientes.
- Estudos de Cor.
- Vídeogame Music como Gênero Musical.
- Aplicações de Efeitos Sonoros e Sound Design.
- Game Engines. Tecnologia 3D em Tempo Real.
- Programas, Introdução à Programação de Computadores e Linguagens de Programação.
- Criando a Narrativa de um Jogo.
- Conceitos e Funções do Módulo Narrativo.
Módulo IV - Desenvolvendo os Games
- Introdução ao Planejamento e Desenvolvimento de Games. Documento Game Spec.
- Criando a Mecânica de um jogo.
- O que é animação. Level Design.
- Produzindo o conteúdo dos jogos. Jogos 2D e 3D.
- Desenho 2D para jogos. Animando personagens 2D.
- Tipos de Dados.
- Comando condicional “if”.
- Funções e sub-rotinas.
Módulo V - Estruturando os Games
- Criando Loops.
- Mixer - mesa de som. Inserindo efeitos no Mixer.
- Criando e editando um VIP. Volume e Panorâmica.
- Criando e editando uma paisagem sonora. Espacializando e equalizando a paisagem sonora.
- Entendendo os modelos 3D. Modelagem 3D para jogos.
- Modelagem de personagens e ambiente 3D.
- Texturas e Interface gráfica.
- Editor de Objeto - Object Editor.
Módulo VI - Finalizando a Produção
- Gravação e Masterização.
- Montando o Módulo de Tiro, editando ambiente, sons, interface e inimigos, configurando o Avatar.
- Montando o Módulo deslizante, editando o ambiente, configurando o avatar.
- O Conceito de Scripts e os Scripts no XGM.
- Gerenciando os projetos de jogos de computador.
- Ciclo de vida de um software de entretenimento.
- As grandes áreas e os profissionais envolvidos na produção de um jogo.
- Tornando-se um profissional na área dos jogos de computador.

Este é currículo de um dos cursos de criação de jogos. Mas tudo dependerá da instituição de ensino que você irá se matricular.
                         Johniere Alves ribeiro

Leia um pouco mais sobre a profissão:


Game Designer? Saiba que profissão é essa?
               
                                                            Por João Marcelo Beraldo | Eschola.com – 17/07/2013 14:17:00


Você sabe o que é um Projetista de games, ou game designer?

O Yahoo! Educação ouviu um dos maiores especialistas em Projetos de Games no Brasil, João Marcelo Beraldo, que explica para nós que profissão é essa:
 
Já trabalho há mais de 10 anos fazendo isso, mas aposto que nem minha família tem certeza do que é que eu faço. “Tem alguma coisa a ver como joguinho” é a resposta mais provável vindo dela. Dica: chamar jogo de “joguinho” para um game designer é o mesmo que dizer que um escritor fez um “livrinho”, um cineasta fez um “filminho”, um engenheiro civil fez uma “casinha”, etc.

Há cerca de 2 anos comecei a prestar serviço freelancer como game designer e vez ou outra tenho clientes que não são da área. São agências de publicidade e equipes de produção de conteúdo educacional (seja para escolas ou para empresas) que começaram a entrar na área dos advergames e jogos educativos. A confusão sobre o papel de game designer persiste também entre eles.

O game designer é a pessoa responsável por bolar o jogo e garantir que ele seja divertido. Ele não é o artista nem o programador, apesar de ser comum o game designer vir dessas áreas. Eu mesmo trabalhei como ilustrador e designer gráfico por anos antes de virar game designer ‘de verdade’ e, nessa época, acabei aprendendo alguma coisa ou outra sobre programação.

E aí está o truque: é obrigação do game designer saber um pouco de tudo.

Em discussões com colegas da área já surgiu muito a discussão sobre o que define um bom game designer. Já entrevistei vários, já contratei alguns. Invariavelmente o sujeito precisa mostrar paixão pelo que faz e, acima de tudo, empatia. O game designer não faz o jogo para ele, faz para os outros. É essencial entender um pouco sobre o porque das pessoas gostam de certos jogos. Eu não tenho o menor saco para World of Warcraft, mas se 8 milhões de pessoas pagavam $15 por mês para jogá-lo era minha obrigação como game designer entender o porquê.

A empatia é importante também para o próprio desenvolvimento do projeto. Você precisa saber falar a língua do artista e do programador e, dependendo do tamanho do projeto, da diretoria da empresa e da equipe de marketing. Você precisa saber explicar o que precisa ser feito e vender seu peixe para públicos diferentes.

“Mas, oh Beraldo, então o game designer é um vendedor?”

De certa forma, sim. Mas é um vendedor que cria seu próprio produto. É um vendedor que defende com unhas e dentes não o produto, mas a experiência que pretende proporcionar ao consumidor final.

“E você fica jogando o dia todo?”

Não. Adoraria, mas ultimamente tenho tido cada vez menos tempo para jogar, e a pilha de jogos comprados e intocados só cresce. Mas jogamos para aprender mais, sim. Um game designer precisa saber o que está sendo feito pela concorrência e deve absorver novos métodos de desenvolvimento do mesmo jeito que um biólogo lê artigos científicos ou um historiador lê livros acadêmicos e participa de eventos. Enquanto o jogador vê pontos de experiência, vitórias e medalhas, o game designer vê mecânicas, ciclos e técnicas narrativas. Depois que você vira game designer jamais verá um jogo com os mesmos olhos. Você se diverte, sim, mas é como se estivesse constantemente olhando as engrenagens sob o capô do carro.
 
Esse conhecimento precisa virar algo. É adubo para o cérebro. Desta pesquisa devem surgir novas ideias, novas soluções, novas mecânicas. Daí vêm os conceitos de jogos, as propostas, os protótipos e, finalmente, os jogos em si. Ser game designer significa escrever muito, mas não necessariamente roteiros de ficção (apesar de que, no meu caso, faço muito disso). Significa escrever um manual técnico de como o jogo deve funcionar, manual esse que serve de base para toda a equipe (e, muitas vezes, para parceiros externos, como forma de convencê-los a financiar a sua ideia).

Isso é um resumo, claro. Talvez volte ao assunto mais para frente, explicando o processo de desenvolvimento de um jogo e dando exemplos. Mas, quem sabe, por enquanto esse artigo ajudou a esclarecer para muita gente o que diabos eu faço para ganhar a vida? E, da próxima vez que você pensar em chamar jogo de "joguinho", lembre-se que um "joguinho de celular" chamado Angry Birds gerou 70 milhões de dólares para uma (então) pequena empresa da Finlândia.

Estruturando um texto argumentativo-dissertativo


Segue abaixo comentários sobre o que fazer no texto "argumentativo-dissertativo". São dicas objetivas e que podem ajudar na hora "H" da Redação no ENEM.


Johniere Alves ribeiro
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Como Estruturar um Texto Argumentativo-Dissertativo

 

1. O texto argumentativo

 

     COMUNICAR não significa apenas enviar uma mensagem e fazer com que nosso ouvinte/leitor a receba e a compreenda. Dito de uma forma melhor, podemos dizer que nós nos valemos da linguagem não apenas para transmitir idéias, informações. São muito freqüentes as vezes em que tomamos a palavra para fazer com que nosso ouvinte/leitor aceite o que estamos expressando (e não apenas compreenda); que creia ou faça o que está sendo dito ou proposto.

     Comunicar não é, pois, apenas um fazer saber, mas também um fazer crer, um fazer fazer. Nesse sentido, a língua não é apenas um instrumento de comunicação; ela é também um instrumento de ação sobre os espíritos, isto é, uma estratégia que visa a convencer, a persuadir, a aceitar, a fazer crer, a mudar de opinião, a levar a uma determinada ação.

     Assim sendo, talvez não se caracterizaria em exagero afirmarmos que falar e escrever é argumentar.

     TEXTO ARGUMENTATIVO é o texto em que defendemos uma idéia, opinião ou ponto de vista, uma tese, procurando (por todos os meios) fazer com que nosso ouvinte/leitor aceite-a, creia nela.

     Num texto argumentativo, distinguem-se três componentes: a tese, os argumentos e as estratégias argumentativas.

     TESE, ou proposição, é a idéia que defendemos, necessariamente polêmica, pois a argumentação implica divergência de opinião.

     A palavra ARGUMENTO tem uma origem curiosa: vem do latim ARGUMENTUM, que tem o tema ARGU , cujo sentido primeiro é "fazer brilhar", "iluminar", a mesma raiz de "argênteo", "argúcia", "arguto".

     Os argumentos de um texto são facilmente localizados: identificada a tese, faz-se a pergunta por quê? (Ex.: o autor é contra a pena de morte (tese). Porque ... (argumentos).

     As ESTRATÉGIAS não se confundem com os ARGUMENTOS. Esses, como se disse, respondem à pergunta por quê (o autor defende uma tese tal PORQUE ... - e aí vêm os argumentos).

     ESTRATÉGIAS argumentativas são todos os recursos (verbais e não-verbais) utilizados para envolver o leitor/ouvinte, para impressioná-lo, para convencê-lo melhor, para persuadi-lo mais facilmente, para gerar credibilidade, etc.

     Os exemplos a seguir poderão dar melhor idéia acerca do que estamos falando.

     A CLAREZA do texto - para citar um primeiro exemplo - é uma estratégia argumentativa na medida em que, em sendo claro, o leitor/ouvinte poderá entender, e entendo, poderá concordar com o que está sendo exposto. Portanto, para conquistar o leitor/ouvinte, quem fala ou escreve vai procurar por todos os meios ser claro, isto é, utilizar-se da ESTRATÉGIA da clareza. A CLAREZA não é, pois, um argumento, mas é um meio (estratégia) imprescindível, para obter adesão das mentes, dos espíritos.

     O emprego da LINGUAGEM CULTA FORMAL deve ser visto como algo muito es-tra-té-gi-co em muitos tipos de texto. Com tal emprego, afirmamos nossa autoridade (= "Eu sei escrever. Eu domino a língua! Eu sou culto!") e com isso reforçamos, damos maior credibilidade ao nosso texto. Imagine, estão, um advogado escrevendo mal ... ("Ele não sabe nem escrever! Seus conhecimentos jurídicos também devem ser precários!").

     Em outros contextos, o emprego da LINGUAGEM FORMAL e até mesmo POPULAR poderá ser estratégico, pois, com isso, consegue-se mais facilmente atingir o ouvinte/leitor de classes menos favorecidas.

     O TÍTULO ou o INÍCIO do texto (escrito/falado) devem ser utilizados como estratégias ... como estratégia para captar a atenção do ouvinte/leitor imediatamente. De nada valem nossos argumentos se não são ouvidos/lidos.

     A utilização de vários argumentos, sua disposição ao longo do texto, o ataque às fontes adversárias, as antecipações ou prolepses (quando o escritor/orador prevê a argumentação do adversário e responde-a), a qualificação das fontes, a utilização da ironia, da linguagem agressiva, da repetição, das perguntas retóricas, das exclamações, etc. são alguns outros exemplos de estratégias.

2. A estrutura de um texto argumentativo

2.1 A argumentação formal

     A nomenclatura é de Othon Garcia, em sua obra "Comunicação em Prosa Moderna".

     O autor, na mencionada obra, apresenta o seguinte plano-padrão para o que chama de argumentação formal:

1.         Proposição (tese): afirmativa suficientemente definida e limitada; não deve conter em si mesma nenhum argumento.

2.         Análise da proposição ou tese: definição do sentido da proposição ou de alguns de seus termos, a fim de evitar mal-entendidos.

3.         Formulação de argumentos: fatos, exemplos, dados estatísticos, testemunhos, etc.

4.         Conclusão.

2.2 A argumentação informal

     A nomenclatura também é de Othon Garcia, na obra já referida.
     A argumentação informal apresenta os seguintes estágios:

    1. Citação da tese adversária
    2. Argumentos da tese adversária
    3. Introdução da tese a ser defendida
    4. Argumentos da tese a ser defendida
    5. Conclusão

 

1.   Dissertação e argumentação
     1.1.  Característica do texto dissertativo-argumentativo  

         Quando se pede a alguém que disserte e argumente por escrito sobre um determinado tema, espera-se um texto em que sejam expostos e analisados, de forma coerente, alguns dos aspectos e argumentos envolvidos na questão tematizada. Não há escrita sem leitura, sem reflexão, sem a adoção de um ponto de vista e, pode-se mesmo dizer, sem um desejo, por parte de quem escreve, de se manifestar a respeito de um determinado tema. Assim, é especialmente importante que, em uma dissertação, sejam apresentados e discutidos fatos, dados e pontos de vista acerca da questão proposta. Ora, para que você consiga desincumbir-se dessa tarefa de forma adequada (especialmente em uma situação como a de um exame vestibular em que há uma certa tensão, o tempo é controlado...), a Unicamp coloca à sua disposição, sob a forma de uma coletânea, diversos elementos que devem ser levados em conta para a discussão do tema proposto. Garantimos, assim, que você não tenha de “partir da  estaca zero”, para construir sua redação. Essa é uma função importante da coletânea de textos que acompanha o tema para dissertação. (Essa coletânea, como vimos no capítulo anterior, tem também o objetivo de avaliar a sua capacidade de leitura, interpretação e seleção de informações).

         Do que foi dito acima, você deveria concluir imediatamente que escrever um texto dissertativo não é apenas tecer comentários  impessoais sobre determinado assunto, tampouco limitar-se a apresentar aspectos favoráveis e contrários e/ou positivos e negativos da questão.

         Mas vamos tentar ajudá-lo um pouco mais, uma vez que tal conclusão pode não ser tão imediata assim. Consideremos duas instruções que muito freqüentemente acompanham “definições” de dissertação: (1) que nela não se deve “falar” em 1ª pessoa; (2) que devem, em um texto dissertativo, ser apresentados argumentos favoráveis e contrários à(s) idéia(s) sobre a(s) qual(is) se está escrevendo.

         A primeira das “instruções” é, de fato, pertinente, mas costuma-se exagerar o seu valor – esse cuidado não é suficiente para garantir que se está, realmente, dissertando. Sempre será verdade que enfraquecem a força do texto dissertativo expressões como eu acho que e na minha opinião, mas o problema está muito mais no caráter opinativo e no “achismo” nelas contido do que no uso da 1ª pessoa do singular. Contudo, saiba que a postura mais adequada para se dissertar é mesmo escrever impessoalmente, como se autor daquele texto fosse o próprio bom senso, a própria lógica, a razão, ou ainda, a verdade. Da mesma forma, uma dissertação não se dirige a um interlocutor específico ou a um grupo deles; dirige-se, isto sim, a um “leitor universal”, algo que poderia ser definido como: todos os seres humanos alfabetizados e dotados de raciocínio.

         Quanto à Segunda “instrução”, essa sim é um completo equívoco. Em uma dissertação, deve-se defender uma tese, ou seja: organizar dados, fatos, idéias, enfim, argumentos, em torno de um ponto de vista definido sobre o assunto em questão. Uma dissertação deve, na medida do possível, concluir algo. Portanto, não tem cabimento ficar simplesmente elencando argumentos favoráveis ou contrários a determinada idéia. Só se trazem ao texto argumentos contrários à tese defendida para destruí-los, para anulá-los... e, mesmo isso, quando for pertinente fazê-lo.

 

2.Aplicando a teoria

 2.1. Tipo de parágrafos – desenvolvimento

Desenvolvimento do parágrafo

A vida agitada das grandes cidades aumenta os índices de doenças do coração

 

Desenvolvimento por detalhes

 

A vida agitada das grandes cidades aumenta os índices de doenças do coração. O tráfego intenso, o ruído  do tráfego, as preocupações geradas pela pressa, o almoço corrido, o horário de entrar no trabalho, tudo isso abala as pessoas, produzindo o stress que ataca o coração.

 

Desenvolvimento por definição

 

A vida agitada das grandes cidades aumenta os índices de doenças do coração. Vida agitada é aquela que o indivíduo não tempo para cuidar de si próprio, mercê dos compromissos assumidos e do tempo exíguo para cumpri-los. Entre as doenças do coração, a mais comum é a que ataca as artérias coronárias, assim chamadas porque envolvem o coração, como uma coroa, para irrigá-la em toda a sua topologia.

 

Desenvolvimento por exemplo específico

 

A vida agitada das grandes cidades aumenta os índices de doenças do coração. Imaginemos um chefe de família que deixa sua casa, às 6h30 da manhã. Logo de início, tem de enfrentar a fila da condução. A angústia da demora: será que vem ou não vem o ônibus? Finalmente, vem. Superlotado. Sobe ele, aos trancos, e logo enfrenta a roleta. – Troco? – Não tem troco pra cem. – Espera um pouco pra passar na roleta. – Agora tem, pode passar. Finalmente o ponto de descida. O relógio de ponto. Em cima da hora. Nesse momento, o relógio do coração do nosso amigo já passou do ponto. Está acelerado. Suas coronárias sofrem sob o impacto do stress e entram em débito de fluxo sangüíneo.

 

Desenvolvimento por fundamentação da proposição

 

A vida agitada das grandes cidades aumenta os índices de doenças do coração. Somente na última década, segundo informações da Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo, o paulistano se infartou vinte vezes mais do que no   decênio anterior. O stress causado pela vida intensa acelera os batimentos cardíacos, por intermédio da injeção exagerada de adrenalina e apressa o surgimento dos problemas do coração.

 

Desenvolvimento por comparação

 

A vida agita das grandes cidades aumenta os índices de doenças do coração. Imagine o leitor, por exemplo, um automóvel dirigido suavemente, com trocas de marcha em tempo exato, sem freadas bruscas ou curvas violentas. A vida útil desse veículo  tende a prolongar-se bastante. Imagine agora o contrário: um automóvel cujo proprietário se compraz em arrancadas de “cantar pneus”, curvas no limite de aderência, marchas esticadas e freadas violentas. A vida útil deste último tende a decair miseravelmente. O mesmo podemos fazer com nosso coração. Podemos conduzi-lo com doçura, em ritmo de alegria e de festa, ou podemos tratá-lo agressivamente, exigindo-o fora de seu ritmo e de seu tempo de recuperação.

 

terça-feira, 25 de junho de 2013

Inadequações: gênero carta; pontuação, etc/ Produção Textual - ENEM


 Segue um vídeo do almanaque da rede que nos oferta algumas dicas sobre a Produção Textual. A professora explica: o gênero carta; uso do aposto e pontuação. Ela apresenta dicas interessantes, já abordadas por em sala de aula.

Assista e aprenda.


in: http://www.youtube.com/watch?v=iyPU40hkvX0&feature=endscreen&NR=1

Segue abaixo uma vídeo/aula do site "aulalivre.net" dicas sobre o texto dissertativo-argumentativo. São boas dicas, a professora  Viviane Schitz segue mais ou menos a linha estudo que tenho sobre a Produção Textual .

Assista com paciência, vale a pena: