terça-feira, 25 de junho de 2013

“Não São Vinte Centavos, São Bilhões E Bilhões De Reais, Trilhões...”


“Não São Vinte Centavos, São Bilhões E Bilhões De Reais, Trilhões...”

Segue mais um artigo de Bráulio sobre os protestos no Brasil. Um texto bem escrito, em que há argumentos importantes em torno da “ Revolta dos 0,20 centavos”.

Leia e comente.

Johniere Alves ribeiro

 


Publicado em 18/06/2013 às 08:00h, por Bráulio Tavares, publicado no Jornal da Paraíba.

 

 

Tudo indica que esta semana também vai ser de gente protestando nas ruas e a polícia descendo o cassetete. Dizem as autoridades e uma parte da imprensa que as manifestações têm como objetivo o vandalismo. É mentira. Vândalos e desordeiros se infiltram em qualquer multidão, até em torcida de futebol comemorando título. Alguns são manifestantes que querem sinceramente protestar mas também aproveitam para descarregar a raiva em vidraças e lixeiras. Outros são os habituais arruaceiros inimigos infiltrados, agindo contra a manifestação para sujar sua imagem. (É o que em política partidária se chama a “turma da pesada”, que ganha para ir aos comícios dos adversários e aprontar confusão.) E existem baderneiros que nem sabem do que se trata, não estão nem aí para o motivo da passeata, querem apenas a adrenalina do confronto e da depredação. Nenhum protesto de rua consegue se vacinar totalmente contra esses três tipos, mas isso não é motivo para proibir os protestos.
Protestos na rua não agradam a todo mundo. Causam transtorno, sim. Já fiquei preso no trânsito, já perdi compromisso, já me prejudiquei. Quem está numa ambulância pode se prejudicar mais ainda. Mas a verdade é que certas mudanças só acontecem depois que o caldo entorna. Autoridades são meio surdas, não escutam indivíduos, mas escutam multidões. Se um governo pudesse apertar um botão e acabar com as passeatas, qualquer um deles – direita, esquerda, centro – faria isso. Governo não gosta de protesto, gosta de voto.
O aumento nos preços das passagens coincide com muitos outros problemas (educação, segurança, moradia, meio ambiente, saúde) e, numa conjunção perversa, com a Copa das Confederações. E aí fica insultantemente visível o compromisso dos nossos governos (federal, estaduais, municipais) e todos os partidos com o capitalismo internacional, representado neste caso pela Fifa. O povo gosta de futebol, mas não gosta do modo sobranceiro, arrogante e acintoso com que a Fifa entra na casa alheia ditando ordens, impondo seus esquemas de exploração comercial, tratando nosso governo e nosso povo como capachos.
A Fifa e seus estádios de um bilhão de reais, que vão ficar às moscas depois da Copa do Mundo, deixando, como sempre, buracos irremediáveis nos orçamentos, e ajudando o Brasil a subir no ranking da “Forbes” dos “países com maior número de milionários” – acho que ganharemos mais algumas centenas deles depois destas Copas. Não, o problema não são vinte centavos, são bilhões e bilhões de reais, trilhões talvez, que existem, foram pagos, e deveriam estar tendo outra utilização. Mas os governos só escutam quando há milhões de pessoas nas ruas dizendo a mesma coisa.

 

“Autoridades são zumbis?” - O que está por trás dos protestos no Brasil


“Autoridades são zumbis.”
 
Acredito que este seria um título interessante para o texto que segue, escrito por Bráulio Tavares, mas não posso mudar oque sua inteligência já blindou e publicou. Contudo, acredito que se não posso mudar o título do seu  texto com esta frase, mas indicaria a mesma como um resumo bem feito do seu artigo. E como a frase acima é parte integrante do seu texto, diria que “metalinguísticamente”  tal período reflita bem a realidade do que ocorre hoje pelas ruas do Brasil.
Desse modo, leia o texto conciso de Bráulio que -  coincidência ou não traz um BRA em seu nome -,  nos apresenta uma radiografia dos protestos recentes em nosso país.
 
Johniere Alves ribeiro
 
 
 
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Bráulio Tavares ( O colunista é escritor, compositor, estudou cinema e é pesquisador de literatura fantástica. Contato com o colunista: btavares13@terra.com.br )

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Publicado em 21/06/2013 às 08:00h;  por Bráulio Tavares, no Jornal da Paraíba.

Movimentos políticos de rua têm de tudo. Jovens preocupados com o futuro do país em que viverão um dia suas velhices (pensem nisto agora, amigos). Velhos relembrando os bons tempos da “revolução no ar”. Baderneiros e vândalos. Hippies, hipsters, ripongas, ripadores de animê. Tímidos que jamais soltariam um berro daqueles na Av. Rio Branco se estivessem sozinhos. Agentes de extrema-direita e de extrema-esquerda infiltrados. Gente descontente com os partidos. Militantes ingênuos para quem o único partido sem políticos corruptos é o seu.

Muitos que estão ali são meros curiosos, satisfeitos em participar de um momento fora do comum, porque terão uma história para contar no dia seguinte: “Olha, ninguém me disse: eu estava lá...”. Entre aquelas dezenas que erguem cartazes e faixas, você vai encontrar lado a lado duas pessoas que, se parassem para acertar os ponteiros, passariam quatro anos discutindo sem chegar a um denominador comum. Mas erguem os cartazes, protestam, cantam hino, andam lado a lado, e cada um deles acredita que está indo na direção certa. Podem até estar.

Manifestação tem skinhead, aposentado, marqueteiro, universitário jubilado, balconista, comerciante, batedor de carteira, vendedor de picolé, trotskista, keynesiano, sadomasoquista, evangélico, flanelinha. Tem modelo-e-atriz, manicure, perua, piranha, filhinha da mamãe, filhinha do papai, socialite, socióloga, feminista, doméstica, filósofa, poetisa, cobradora de ônibus. Todos tentam, num momento assim, encontrar um movimento coletivo que lhes dê a sensação de serem um só, sem ao mesmo tempo desbastar as arestas de individualidade que os definem.

Em toda manifestação alguém vai depredar um prédio público ou um banco particular. Alguém vai queimar latas de lixo ou carros estacionados. Se a manifestação fizesse isso o tempo inteiro, ia se desmoralizar. Mas (vejam só as ironias da nossa civilização!) os carros incendiados e as vidraças partidas doem mais fundo nas autoridades do que as palavras de ordem ou as reivindicações ordeiras. Autoridades são zumbis. Enquanto puderem fazer de conta que estão mortas, fá-lo-ão. Um milhão de vozes bradando uma queixa justa podem ser ignoradas; mas a pira de labaredas consumindo símbolos civilizatórios como carros ou placas da Fifa é algo que os horroriza na sua medula mais íntima. Eles veem que o Poder não os blinda por completo, e que para aquela multidão nem o que é mais sagrado merece respeito. E em homenagem a esse símbolo sacrificado em holocausto (“Queimaram carros! Por que não queimam um sem-teto?!”) eles admitem que a Rua é real. E sentam para negociar.

 

 

Para se dar bem na redação do Enem - Johniere Alves Ribeiro



 O texto que segue foi escrito por  Fernanda Pompeu e tem tudo haver com os concelhos que apresento aos meu alunos durante as aulas de Produção textual.

 Espero que vocês possam curtir, tanto quanto eu, e, acima de tudo, possam tentar aplicar ao cotidiano de vocês.

 

Leia  o texto que segue e assista com atenção. Depois tenha um bom desempenho.


 

 


Johniere Alves ribeiro.

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Para se dar bem na redação do Enem

Por Fernanda Pompeu

Imagine que você é um monge zen budista. Esvazie sua mente de todas as coisas, principalmente, esqueça dos últimos torpedos que leu no celular. Concentre-se no tema da redação. Perceba o que de fato estão pedindo para você escrever.

Imagine que você é um redator publicitário. Anote, na área do rascunho, palavras ligadas ao tema. Isso leva o nome pomposo de cadeia semântica, mas é bem fácil de fazer. Por exemplo, se o tema for mobilidade urbana, escreva: trânsito, ir e vir, transporte público, bicicleta, energia etc.

Imagine que você é um jogador da seleção espanhola. Não erre nos passes, isto é, encadeie uma ideia em outra. Seja prudente, crie parágrafos. Não cometa faltas de coesão e coerência. E, principalmente, não chute à toa. Seu objetivo é fazer gol.

Imagine que você é a pessoa mais precavida do mundo. Redija o primeiro rascunho. Leia. Veja o que é possível melhorar, seja na ideia, seja na expressão dessa ideia. Sempre dá para fazer mais. Releia sua "cadeia semântica". Ficou algo importante de fora?





Imagine que você é um relojoeiro. Examine com lupa cada frase. Se tiver dúvida sobre a grafia de uma palavra, substitua por um sinônimo. Faça uma frase longa virar duas curtas. Reveja a divisão dos parágrafos. Cada parágrafo deve ter uma única ideia forte.

Imagine que você é o outro. Está claro o que você expressou? Evite as generalizações. Exemplos: a humanidade é poluidora, o Planeta vai acabar, nenhum político presta. Tente ser específico. Se for falar de energia alternativa, dê nomes: solar, eólica, biomassa.

Imagine que você é um cirurgião plástico. Atente para os detalhes. Confira as concordâncias verbal e nominal. Não cite dados e datas sem ter certeza. Nesses casos, é melhor omitir do que errar. Você não é obrigado a saber tudo, mas escreva só sobre o que sabe.

Imagine que você é o examinador. Passe a limpo sua redação com letra bem legível. Garrancho não ajuda nada (até médicos estão proibidos de garranchar). Não use letrinha, nem letrona. Use o bom senso. O examinador é o cara que vai dar a nota. Colabore com ele.

 ( fonte yahoo.com.br)

sábado, 25 de maio de 2013

Grabiela, cravo e canela - Segunda Fase de Jorge Amado

Segunda Fase da obra de Jorge AMADO
O romance "Grabriela cravo e canela" abre a segunda fase dos romances de Jorge Amado. Esta fase é um pouco mais madura e mais descompromissada dos ideais “socialistas”, o autor baiano faz apologia a liberdade e ao amor, é caso de Gabriela Cravo e Canela (1958) este romance de acordo com Álvaro Cardoso Gomes (1981) foi um marco para a escrita de Jorge Amado, estabelecendo uma narrativa mais leve em relação à fase anterior; Tieta do Agreste ( 1967) e Dona Flor e seus dois maridos (1977). Boa parte dos livros deste momento que ganham adaptações para tv, rádio, cinema e tornaram cada vez mais populares, elevando Amado a categoria de um dos autores mais conhecidos de nossa literatura.  Nesse sentido, Candido (2004, p. 42) afirma que: “A força do romance moderno foi ter entrevisto na massa, não assunto, mas realidade criadora”, esta foi uma percepção explorada com qualidade por esse bom baiano, que como poucos soube criar a partir do povo.
                                           Johniere Alves ribeiro
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II FASE
GABRIELA,CRAVO E CANELA
Resumo
Jorge Amado centra sua narrativa em dois eixos convergentes:
1)As transformações econômicas ocorridas na cidade de São Jorge dos Ilhéus, na década de 1920, refletidas no dia-a-dia da cidade e mostradas sob a forma de um imenso painel onde se agitam dezenas de destinos individuais interligados ao confronto histórico entre a velha e a nova ordem de poder na região cacaueira.
Vive-se o momento em que os grandes coronéis desbravadores (representados sobretudo pelo coronel Ramiro, com seu poder político absoluto e pelo coronel Jesuíno, que assassina a mulher por surpreendê-la com um amante, conforme o código de honra da região) estão envelhecendo e morrendo. Uma nova classe, cristalizada na figura de Mundinho Falcão, o audacioso exportador que busca melhorias para a cidade, como a construção da barra do porto, começa a minar a autoridade despótica dos coronéis. É o progresso em luta contra o atraso. São Jorge dos Ilhéus civiliza-se.
2) A paixão do sírio-brasileiro Nacib Saad, dono do afamado bar Vesúvio, por sua recente cozinheira, a mulata Gabriela, uma retirante sertaneja cujo cheiro era o do cravo e a cor a da canela. As múltiplas complicações causadas por este amor servem de contraponto ao painel da vida social da cidade e da região.
Gabriela, além dos atributos culinários, encanta toda a freguesia do Vesúvio com sua beleza, sua malícia inocente, sua espontâneo desprezo pelas convenções. Nacib apaixona-se por ela e os dois tornam-se amantes. Contudo, o olhar ávido dos freqüentadores do bar para as esplendorosas formas da mulata e a maneira alegre como ela recebe os galanteios exasperam Nacib. E ele resolve não apenas casar-se com a cozinheira, mas dar-lhe um "status" pequeno burguês, transformando-a em respeitável senhora e afastando-a do Vesúvio.
Por amor ao agora marido, "moço bonito", Gabriela aceita a nova situação. Passa a usar vestidos fechados, sapatos que lhe apertam os pés, até então sempre descalços, e é obrigada a assistir a insuportáveis recitais poéticos parnasianos, quando o que ela gostava mesmo era de circo, inclusive dos mais vagabundos. Infeliz na sua condição burguesa, acaba sendo seduzida por Tonico Bastos, o "don Juan" de Ilhéus.
Nacib descobre os amantes nus na sua própria cama e enlouquece de dor e despeito. Mandava a tradição que se lavasse a honra com sangue, mas ele é um homem bom, pacífico, e apenas dá umas pancadas na esposa. Depois, humilhado, pensa em fugir da cidade. Os amigos o detém e com o auxílio do próprio Tonico Bastos, assustado com a ameaça de escândalo, conseguem a anulação do casamento, invocando um erro jurídico na sua celebração.
Assim, o árabe não é um "marido traído", é apenas um "amante traído", o que lhe diminui a vergonha, mas não o sofrimento pela perda de Gabriela. Também a mulata, expulsa de casa, lamenta-se porque no fundo do coração ela ainda ama o dono do Vesúvio. Oportunamente, no desfecho da narrativa, Nacib vence seu orgulho ferido e recontrata Gabriela como cozinheira. Em seguida, os dois voltam à antiga condição de amantes. E agora, sem as imposições da ordem moral conservadora - simbolizada pelo casamento e suas seqüelas - ambos poderão ser felizes.
O reencontro afetivo de Gabriela e Nacib ocorre simultaneamente com o triunfo político de Mundinho Falcão, o burguês que veio para modernizar a sociedade cacaueira. Assim, com este viés otimista, termina o romance.
3. JORGE AMADO (1912- 2001)
O QUE OBSERVAR EM GABRIELA,CRAVO E CANELA
A) A partir de Gabriela, cravo e canela, Jorge Amado abandona definitivamente o romance proletário. O primeiro resultado é o abrandamento do maniqueísmo* anterior. Sua maior compreensão do tecido social e da existência pessoal, leva-o a humanizar coronéis e burgueses e a desconfiar da pretensa vocação revolucionária das massas.
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B) Outra novidade é o humor que percorre a narrativa. Há um conjunto de cenas engraçadíssimas no texto. Não se trata de um humor sutil, ao contrário, é algo mais próximo do deboche, da farsa, da burla com traços de obscenidade, do riso subversivo. Uma espécie de ironia direta, muitas vezes grosseira, utilizada como protesto contra os preconceitos morais e sociais de sua época. Neste sentido, Jorge Amado assume a tradição humorística / destruidora de Gregório de Matos e de Oswald de Andrade.
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C) A idéia de compor um painel abrangente da sociedade cacaueira, na década de 1920, leva o escritor a criar uma assombrosa multiplicidade de situações e protagonistas. A exemplo de As mil e uma noites, um acontecimento chama outro e a trama se abre em dezenas de histórias paralelas. Esta sofreguidão narrativa, entretanto, flui magistralmente rumo a uma totalização coerente e equilibrada. Por isso, os leitores de Gabriela têm a sensação de que adentram em um mundo pleno de vida e de naturalidade. Esta ilusão total, que leva o fictício a se transformar em realidade, é o dom supremo dos grandes romancistas.
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D) A personagem Gabriela em sua rebelião instintiva contra o moralismo de fundo patriarcal-religioso - além de expressar a ânsia vital e o caráter libertário e quase anárquico dos setores populares - antecipa, através de suas escolhas amorosas, novos princípios de comportamento que começavam a germinar no país, no fim dos anos de 1950. Sob este ângulo, Jorge Amado intui de maneira admirável a grande revolução dos costumes que ocorreria nas décadas seguintes.
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E) O escritor faz o elogio da modernização econômica e da democracia política que permitia a ascensão ao poder de homens comprometidos com mudanças sociais. Por isso, o herói positivo do relato é o exportador Mundinho Falcão. O seu triunfo é o triunfo do arrojo empresarial e da visão capitalista contra o universo semifeudal dos coronéis.
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F) Impossível esquecer que o romance foi escrito no governo J.K.(1956-1960), que com crescimento industrial de 15% ao ano, gerou grandes esperanças no país. Gabriela, cravo e canela é, portanto, a principal expressão estética desse desenvolvimentismo otimista, ao mesmo tempo que é o canto de cisne do Brasil agrário, substituído por uma sociedade urbana e burguesa.
 
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Jorge, o escritor mais amado do Brasil

Jorge, o escritor mais amado do Brasil

Jorge Amado é o escritor mais popular no Brasil e fora dele. Tem suas obras traduzidas em vários idiomas.
A partir da Bahia Amado consegue traçar um perfil tanto do homem brasileiro quanto do homem e sua universalidade.
Segue abaixo um comentário sobre o autor e suas fases. Nesta postagem estaremos apresentado uma análise mais detida sobre a I Fase, a chamada de "Fase Proletária".

               Johniere Alves Ribeiro

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 JORGE AMADO (1912- 2001)
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Jorge Amado e Zélia Gattai
Vida: Nasceu em uma fazenda na cidade de Itabuna, filho de um coronel que experimentou simultaneamente a riqueza e a pobreza e que viveu as lutas pela posse da terra para o plantio do cacau, mais tarde retratadas pelo escritor. A família mudou-se em seguida para Ilhéus. Em 1923, com 11 anos, Jorge foi matriculado com interno no colégio Antônio Vieira, dos jesuítas, em Salvador de onde fugiu três anos depois, atravessando todo o sertão baiano em uma grande aventura. Terminou os estudos secundários no colégio Ipiranga e ingressou na faculdade de Direito no Rio de Janeiro, no ano de 1930. Nesta mesma década, vinculou-se ao partido Comunista, tornando-se nos anos subseqüentes uma espécie de porta-voz artístico do mesmo. Em 1936 esteve dois meses preso por suspeita de participação na intentona comunista. Em 1937, a proibição e queima pela policia do romance Capitães de areia transformou-o no escritor mais conhecido no Brasil. O sucesso de suas obras estendeu-se rapidamente por outros países.
Durante o Estado Novo, Jorge Amado viajou por toda a América Latina e pelos Estados Unidos e foi preso várias vezes. Entre 1941 e 1942 viveu em Buenos Aires e Montevidéu. Voltou para Salvador, lá permanecendo de 1943 a 1945. Neste último ano, já em São Paulo, casou-se com Zélia Gattai. Em 1946, com a redemocratização foi eleito deputado federal pelo P.C.B, recebendo expressiva votação em São Paulo. Como o partido foi declarado ilegal, seu mandato foi cassado em 1948. Em 1951, ganhou o prêmio Stálin de Literatura com Seara vermelha. Viajou o mundo inteiro, muitas vezes na companhia de Pablo Neruda, outro intelectual comunista. A publicação de Gabriela, cravo e canela, em 1958, representou uma mudança estética-ideológica em sua obra. A partir de então viveu basicamente em Salvador, passando, no entanto, longas temporadas no exterior. Consolidou-se como o escritor brasileiro mais traduzido e que mais vendeu livros em todos os tempos.
Obras principais:

http://educaterra.terra.com.br/literatura/romancede30/img/ja_05.gifI FASE
O país do carnaval (1931); Cacau (1933); Suor (1934); Jubiabá (1935); Mar morto (1936); Capitães de areia (1937); Terras do sem fim (1943); São Jorge dos Ilhéus (1944); Seara vermelha (1946); Os subterrâneos da liberdade (1954).

http://educaterra.terra.com.br/literatura/romancede30/img/ja_06.gifII FASE
Gabriela, cravo e canela (1958); Os velhos marinheiros (1961); Os pastores da noite (1964); Dona Flor e seus dois maridos (1966); Tenda dos milagres (1969); Tereza Batista cansada de guerra (1972); Tieta do Agreste (1977); Farda, fardão, camisola de dormir (1979); Tocaia Grande (1984); O sumiço da santa (1988); A descoberta da América pelos turcos (1994).

Outras obras: ABC de Castro Alves (biografia,1941); O cavaleiro da esperança (biografia,1942); Navegação de cabotagem (memórias, 1992).
 JORGE AMADO (1912- 2001)
I FASE
Aos dezoito anos, Jorge Amado estreou com País do carnaval, um romance medíocre onde tentava retratar os impasses ideológicos e existenciais de um grupo de jovens intelectualizados e inadaptados à realidade brasileira, no mesmo período em que ocorria a Revolução de 1930. O autor certamente não estava à altura do assunto, (o debate profundo de idéias jamais seria o seu forte), porém o romance - por ter o caráter de depoimento de uma geração sem rumo - obteve repercussão e tornou conhecido o seu nome nos círculos letrados do país.
No ano subseqüente, 1933, o escritor lançou Cacau. "Romance pequeno e violento", escreveria ele mesmo, mais tarde, a respeito da obra, que trazia duas grandes novidades: - Incorporação ao romance realista de 1930 da região cacaueira do sul da Bahia. - O anúncio pelo autor da radicalização política de seu projeto estético: " Tentei contar neste livro com um mínimo de literatura para o máximo de honestidade a vida do trabalhador das fazendas de cacau do sul da Bahia. Será um romance proletário?"
Jorge Amado aderira ao marxismo e a partir de agora dispunha-se a transformar seus relatos em propaganda revolucionária. Cumpria assim, antecipadamente o que, ainda na década de 1930, Stálin exigiria dos escritores ("engenheiros de almas"): a criação de heróis positivos que lutassem pela utopia socialista. * * Na extinta URSS a celebração da nova ordem tornou-se obrigatória para os artistas. Instituiu-se então o chamado realismo socialista no qual, através de formas estéticas convencionais, louvava-se o mundo estalinista.

O ROMANCE PROLETÁRIO
É como legítimo "engenheiro de almas" que o jovem ficcionista, a partir de Cacau, estabelece um modelo de estrutura narrativa repetida em quase toda a sua primeira fase:
A) O herói, oriundo das camadas populares, deve ter sempre um caráter positivo, ou seja, precisa apresentar uma postura reinvindicatória ou revolucionária. Porém, no início dos relatos, ele invariavelmente, encontra-se em estado de alienação de sua própria miséria, desconhecendo-lhe as causas.
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B) No transcorrer da ação, o herói adquire consciência da opressão que o vitima. Os opressores serão genericamente o latifundiário, o burguês e o agente do imperialismo ianque. (Com isso, o autor estabelece uma esquematização psicológica caricatural: os trabalhadores são necessariamente generosos e justos, enquanto os ricos sempre são pérfidos e exploradores)
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C) A partir da conscientização dos males sociais que o afligem, o herói parte para a ação política e, no caso de São Jorge dos Ilhéus e Seara Vermelha, para uma explícita ação ideológica-partidária, conforme os preceitos do partido Comunista.
Esta fórmula (alienação - conscientização - ação política final ) sedimenta-se em quase todos os romances da I fase. Em Cacau, por exemplo, o trabalhador Colodino deixa a fazenda para fazer um curso no Rio de Janeiro, prometendo retornar e lutar com os demais camponeses. Já em Suor, desempregados, operários e mulheres enfrentam a polícia nas ruas de Salvador.
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Cena de Jubiabá por Caribé
No caso de Mar morto - apesar das vivas denúncias sociais que percorrem o texto - a conscientização da heroína, Lívia, após a morte de seu companheiro, o marinheiro Guma, é menos política e mais existencial. Adversa à vida no mar, Lívia, no último momento da narrativa, assume o comando do saveiro de seu amado para dar continuidade ao trabalho do mesmo.
Em Jubiabá, o protagonista mais importante, o negro Antônio Balduíno vivencia os poucos destinos possíveis das camadas populares baianas: menino de rua, vagabundo, sambista, boxeador, trabalhador rural, artista de circo e, por fim, estivador, quando torna-se líder de uma greve que explode no porto. Seu pai adotivo, Jubiabá, é um pai-de-santo que desconfia da ação política do filho, mas não chega a rejeitá-la completamente. Já Antônio Balduíno supera a religiosidade familiar pelo envolvimento sindical. Frise-se, no entanto, Jorge Amado descreve sem preconceitos o candomblé e os rituais afro-brasileiros, vendo-os como legítima expressão da cultura negra.
ROMANCE DE 30