terça-feira, 21 de agosto de 2012

FACEBOOK ajuda a elaborar livro de poemas.

Quem disse que na internet só há coisa ruim é porque não conhece a seguinte ideia:  “O poeta Paulo de Toledo teve a ideia de compartilha com amigos e contatos poéticos do facebook um livro de poesias.  Resultado, vários autores aderiram à ideia e produto final foi o livro “Poema de mil faces – Um livro para ler e compartilhar”.

Confira aqui:
http://pt.scribd.com/doc/103354605/Varios-autores-Poema-de-Mil-Faces

Ficou legal, passe você este tipo de ideia à frente. Acredito que será bem melhor do que passar aquelas “correntes virtuais” pedindo algo ou recheadas de superstições.
Johniere Alves Ribeiro

Leia alguns poemas:

O QUE RESTA DOS POETAS

dois sonetos,
diz o profeta,
a cada um em seu esqueleto
lado a lado,
as costelas
é o que sobra após a moela
daquele cardume de poetas

 Ademir Demarchi, 1960, Maringá-PR.


NÁUFRAGOS

Náufrago em si mesmo,
o homem lança mensagens
em garrafas.

Mas o mar só devolve o silêncio
à solidão de seu corpo.

Sem um porto onde se salvar
toma de outra garrafa
e nela constrói um navio.

Só lhe falta, agora, o destino.

 Alexandre Marino, 1956 

Passos-MG, vive em Brasília.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

JOVENS MAIS PRÓXIMOS DE MACHADO DE ASSIS

Machado de Assis continua surpreendente mesmo após tanto anos de sua escrita. O obra imortal  do "Bruxo do Cosme Velho" ainda nos repensar a realidade e hipocrisia da sociedade de sua época e de hoje.
 Nesse sentido, veja o que Rafael Cortez escreve sobre o auto.
Johniere Alves
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Sobre a Bienal do Livro e Machado de Assis
Por Rafael Cortez – 

Mais uma Bienal do Livro acontecendo na cidade de São Paulo. Mais uma vez, os protagonistas são os livros, seus autores e leitores insaciáveis. Gosto bastante disso. Respeito e tenho muita admiração por eventos que partem da Literatura e reforçam a importância da leitura para todas as idades. É como um sinal de salvação em tempos tão burros de internet e entretenimento barato.
Todo e qualquer evento literário me faz reforçar meu carinho por Machado de Assis. Sou, de fato, um grande fã desse imortal autor. Ele me deu muitas alegrias ao longo de toda minha vida, ainda que o processo de conhecer sua obra na minha infância tenha sido tão penoso. Machado era inteligente demais para minha geração já preguiçosa. Aliás, Machado é acima da média para a maior parte de nós.
Recordo de um episódio na Bienal do Livro anterior. Eu participava de um debate com adolescentes quando disse, para um auditório lotado, que as crianças acham o Machado de Assis chato quando o conhecem em meio à obrigatoriedade de sua leitura: ele vale nota, ele cai na prova e ele é muito difícil. Depois, os adolescentes voltam a ter esse problema: Machado cai na Fuvest, é do vestibular, vale como parte do passaporte a uma universidade e vida de prestígio.
Lembro que um professor estava presente na plateia. Ele me procurou depois e disse ter ficado muito chateado comigo por ter dito isso. Alertou-me para o fato de que sou formador de opinião, sou jornalista, e que posso criar imagens erradas do autor. Fora que tal depoimento poderia ser encarado como algo um tanto ingrato de minha parte — taxar de chato o autor que tanta coisa me deu (incluindo meus audiolivros)... não pode!
Eu perguntei ao professor em questão: estou mentindo?
De fato, não sei como é hoje nas escolas de Ensino Fundamental. O ideal é que, antes mesmo de recomendar o início da leitura de qualquer uma das obras do Machado, os professores dêem uma introduzida no autor. Seria bom receber uma aula "pré-Machado" antes de mergulhar em seus textos. Garanto que isso despertaria maior interesse por parte de futuros leitores e fãs em potencial... fora que isso minimizaria alguns problemas de compreensão e contextualização de sua escrita.
Bem, o fato é que quando fui ler "Dom Casmurro", ninguém me preparou para nada. Ninguém me situou sobre o contexto brilhante de "Memórias Póstumas de Brás Cubas". Tá certo que meu colégio era uma porcaria, mas isso aconteceu. Eu tive de aprender a ler Machado de Assis praticamente sozinho, mais tarde, mais calejado e mais instruído.
Hoje, com quase 36 anos, uma parte de mim se volta aos audiolivros — uma forma de aproximar a molecada de clássicos da Literatura que podem, com esse trabalho de registro em áudio, ser vistos de outra maneira. Vai que algum jovem que realmente goste de mim se empolgue? O fato de conhecer um livro do Machado na minha voz pode ser um passaporte para um novo encontro com outra obra do mesmo autor, ou de outro igualmente notável... Vai que..
Já gravei quatro obras do Machado em audiolivro. E uma do José Mauro de Vasconcellos. Meu desafio ainda é o Machado de Assis. Queria muito que ele fosse aceito como o gênio que sempre foi; e não tido como um chato difícil de ler por parte da molecada. Com meus audiolivros, faço a minha parte na tentativa de quebrar essa premissa burra. Ao mesmo tempo em que me deleito com mais uma Bienal do Livro. Recomendo que façam o mesmo!

domingo, 5 de agosto de 2012

CINEMA E APRENDIZAGEM

Os filmes não só apenas fonte de entretenimento, mas também podem auxiliar no aprendizado e no enriquecimento intelectual. Bons filmes podem ajudar a interpretar melhor o mundo a nossa volta e nos ajudar em debates sobre os assuntos mais diversos em nossa sociedade. Por isso, leia as informações que segue e se possível assista algum desses filmes.  

Johniere Alves Ribeiro


2001:uma odisséia no espaço.



Ficção Científica, EUA, 1968, 149 min. Colorido.Elenco: Keir Dullea, Gary Lockwood, William Sylvester, Leonard Rossiter, Margaret Tyrack, Robert Beatty, Sean Sullivan, Douglas Rain (Voz de HAL 9000)

Direção:
Stanley Kubrick

Um poema visual.
2001 está entre os mais belos filmes de todos os tempos. Stanley Kubrick nos empresta sua percepção visual  para mostrar as interferências a que está sujeito o ser humano. Tais interferências, ditadas pela natureza, pela tecnologia ou pelo insondável, desembocam na incontrolável necessidade que tem o universo de se transformar.  Um estranho monolito surge na pré-história e força nossos ancestrais a evoluir. Milhões de anos depois, o mesmo objeto reaparece e motiva uma expedição a Júpiter, para investigar o fenômeno. A nave Discovery, controlada pelo impressionante computador HAL 9000, leva a tripulação. De repente, os tripulantes começam a desaparecer e HAL não mais obedece aos seus criadores. O enigma está apenas começando...

Sugestões temáticas

Teoria do Caos
Pré-história
Teoria da Evolução
Dependência tecnológica
Poesia visual
Relações CTS – Ciência, Tecnologia e Sociedade
Progresso científico
Relações de poder
Força da gravidade
Queda livre
Movimento
Equilíbrio de forças
Gravidade zero
Movimento Referencial
Leis da Física

AMISTAD

Tudo começa quando os prisioneiros de um navio negreiro denominado "La Amistad" se rebelam e trucidam boa parte da tripulação. Desconhecendo os caminhos marítimos de volta para casa, bem como não tendo noções de como guiar um navio, os líderes da rebelião mantêm alguns tripulantes como reféns, para que estes os levem de volta à África.
Porém, são traídos e aportam na América do Norte, onde são aprisionados e levados a julgamento.
Desse momento em diante serão muitos os percalços pelos quais terão de passar. Mas lutam com garra e desafiam as leis, impingindo um recomeço para a história republicana norte-americana, com o auxílio do ex-presidente John Quincy Addans, interpretado por Anthony Hopkins. O diretor Steven Spielberg trabalhou com fatos verídicos, mas incorporou uma personagem que não existiu, Thedore Joadson, o militante negro interpretado por Morgan Freeman.

Amistad, Drama, Estados Unidos, 1997, 154min.; Colorido. Direção: Steven Spielberg.


Temas:
Sugestões temáticas
 Poesia abolicionista de Castro Alves
Escravidão século XIX
Exploração e comercialização humana
Direitos humanos
Política
Quilombos
Constituição Americana
Formação do povo americano

PS: Se gostou das dicas comente.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

POESIA PARAIBANA- Linaldo Guedes

Estou tentando apresentar para vocês alguns dos principais poetas e escritores da Literatura Paraibana ainda em atividade. Acredito que é importante conhecer a “prata da casa”.
O primeiro a desfilar por aqui é Linaldo Guedes, poeta radicado na capital, mas que tem sua origem no sertão paraibano.
Seu último livro “Metáforas para um duelo no Sertão”,  pela Editora Patuá, de São Paulo ( 2012), são 106 poemas inéditos e tem prefácio de Antonio Mariano.
Olivro pode ser comprado no site www.editorapatua.com.br.
             Johniere Alves Ribeiro  
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Quem é Linaldo Guedes?
CURRICULUM VITAE

FORMAÇÃO ACADÊMICA:

Escola Estadual de 1º Grau Dr: José Medeiros Vieira, João Pessoa/PB (conclusão do ensino fundamental), dezembro de 1982;
Escola Estadual Professor Pedro Augusto Porto Caminha, João Pessoa/PB (conclusão do ensino médio), dezembro de 1985;
Curso Superior de Licenciatura em Letras, da Universidade Federal de Campina Grande, Campus de Cajazeiras, em 1987/1988 (sem conclusão);
Curso Superior de Bacharelado em Comunicação Social, da Universidade Federal da Paraíba, campus de João Pessoa, 1990-1992 (sem conclusão);
LIVROS LANÇADOS:“Os zumbis também escutam blues e outros poemas” (livro de poemas), Editora Textoarte, João Pessoa/PB, 1998;
Coletânea de Poesia: 50 anos do Correio das Artes (org.) - Editora Universitária/UFPB, João Pessoa/PB, 1999;
Coletânea de Contos: 50 anos do Correio das Artes (org.) - Editora A União, João Pessoa/PB, 1999;
“Augusto dos Anjos” (plaquete) – Coleção Paraíba Nomes do Século, Série Histórica, nº 38, Editora A União, João Pessoa/PB, 2000;
“Diálogos” (org) – Seleção de entrevistas publicadas no Correio das Artes do jornal A União em 2003, Editora Aboio, João Pessoa/PB, 2004;
“Intervalo Lírico” (livro de poemas) – Editora Dinâmica, Coleção Tamarindo, João Pessoa/PB, 2005;
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Degustação de dois poemas de Linaldo Guedes


Cárcere Ideológicoa liberdade
repousa num sono secundário
entre o lado canhoto da vaidade
e o beco sujo de uma rua sem poesia

para despertá-la de sua hibernação
é preciso
(primeiro)
limpar a sujeira da vaidade
(depois)
cantar hinos de louvor numa cela sem grades.
( Linaldo Guedes)

A flor e o espinhoo amor
o amor

- todos os caminhos
levam à dor

quando o teu cheiro sobra
ou o prazer vai embora
é do amor que falamos
é a dor que escondemos

num caso
falta o pedaço necessário
para se chegar ao paraíso

em outro
sobra o dicionário
para tentar explicar o sumiço da flor.

( Linaldo Guedes)

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Duelo entre o real e o imaginário no novo livro de Linaldo Guedes

Ronaldo Braga

A poesia de Linaldo Guedes é um grito carinhoso que continua mais forte no seu silencio, que nos pergunta o tempo todo sobre organização e alma, sobre vida e acordo, poesia que é um solapo em nossa quietude e ler “Metáforas para um duelo no sertão do poeta” Linaldo Guedes  nos permite um momento onde a quietude não é uma calmaria antes é uma necessidade de sobrevivência, pois é preciso depois da leitura fechar o livro e organizar o turbilhão de imagens, de buscas, de caminhos que de forma firme e duradoura ocupam nosso cérebro. 

Há e sempre houve muitos duelos no sertão, o sangue brota de peitos lacerados e cabeças erguidas, e o poeta  da Paraíba, nos revela um outro duelo dentro de todos os duelos sertanejos, o duelo que marca a fronteira entre o real e o imaginário, entre a escolha e o imposto, entre o ser e o nada, um duelo travado na fome que não nos devora e sim nos impulsiona como fortes para caminhar entre espinhos e sedes, a fome que  é o caminhar,  o viver entre nuvens de ideias e poucas certezas, a fome que nos mantém vivos.

É, portanto, desta fome que trata o livro do poeta Guedes, uma fome bela e que no sertanejo às vezes coberta como poeira por outras fomes pode nos aparentar fracos ou mesmo vitimas. E  a poesia de Linaldo não tem  a dor do fracasso ou da vingança, mas a serenidade da percepção que a vida sofre mas também é uma festa, é uma espera e é sempre uma luta dentro de muitas outras lutas. 

"meu pai sorriu
à sombra da goiabeira

nada de rugas na face
apenas a névoa
de um tempo escondido pela sombra das horas."

O passado na figura do pai é de uma melancólica e doce  lembrança, não no sofrimento, mas na névoa que reescreve o rosto na falta de rugas e numa sombra, a da goiabeira, uma outra faz suave e sábio o nosso existir, o das horas.

E enfrentando a religião sem raivas e sem medos ele afirma:

"matraca silenciosa
liturgia de augusto
remoendo
moendo
doendo
moenda
- bagaço de homem no altar dos sertões".

E o poeta Linaldo Guedes brinca com sua infância, seu crescer, sua família e entre alegrias e descobertas ele afirma a sadia desavença entre idades e sexos no ninho, que é um pouco revelado na sombra da goiabeira, salta agora em Lili, em Deci, Didi, Laura, em Laudeni, na galega Neném e se junta na rede com o pai, embalado em natais onde a família tocaiava sonhos de olho no alpendre, pois sabedor que 

"liturgia de oração
- negação do jejum do prazer"

Linaldo declara:

"nunca conseguira entender a falta de pão"

Pois é com poesia que o poeta enfrenta dores e calúnias

"sou um homem marcado
marcado para doer
gado preso no curral
quando não, abatido
comendo Baudelaire
na erva daninha de meu capim."

E continua caminhando por entre fantasmas  nas brincadeiras de muitas humanidades, fazendo duelar os medos dos 12 anos, bumba meu boi  e sombras na parede, com a dura realidade do homem quarentão que nada teme, mas

"tanto medo aos 12
aos 40, medo só de seu olhar de graúna"

Linaldo Guedes não vive por ai afirmando sua sertanidade, antes universal sabe das necessidades de superar mitos e vencer etapas 

"cansei de pasárgada
este negócio de sentar-se eternamente no trono
não compensa a mulher que queremos"

Podemos então arriscar que “Metáforas para um duelo no sertão” do poeta paraibano LINALDO GUEDES, publicação da editora Patuá é não um mergulho no próprio umbigo do poeta, mas sim a afirmação da vida com toda a dor e o prazer que tem no fato de viver e que também soa este livro como uma canção que pode ser  um grito forte saudando nossas fomes e um esperançoso desejo de duelar.

Recomendo a leitura de “Metáforas para um duelo no sertão”, que com certeza vai abrir horizontes e permitir o deleite do belo numa terra árida e fazer plainar azedumes em dias de fugas, Um livro com um coração repleto de amores e fomes e sempre um coração decidido.

Ronaldo Braga é poeta baiano.

domingo, 29 de julho de 2012

O analfabeto do futuro

Ao ler o texto “O analfabeto do futuro” fiquei impactado com a força das palavras utilizadas por sua autora. É um texto que trata da mais pura realidade de nosso país, mesmo boa parte da mídia oficial afirmar que não.
Por tanto, leia e tire suas próprias conclusões...

Johniere Alves Ribeiro



O analfabeto do futuro

Competitividade, globalização e empregabilidade são expressões repetidas como palavras de ordem. Porém, o seu real significado está distorcido pele banalização do uso. A base de todo o movimento de mudanças que essas palavras representam é a competência, que precisa ser vista como a habilidade de realizar.
Estamos, em pleno século 21, travando uma luta contra o analfabetismo, a exclusão social e a desigualdade. Contudo, é preciso notar que a própria evolução competitiva dá uma nova proporção a essas dificuldades. No início do século passado, a alfabetização era a condição de o indivíduo escrever seu próprio nome. Hoje, ela exige uma competência mais complexa. É preciso, em uma folha de papel, saber exprimir idéias com coerência e fluidez.
Por esse critério, podemos perceber que o problema do analfabetismo brasileiro é mais grave do que supúnhamos. Temos recém-formados que não passariam sequer num teste de redação. Quer dizer, temos analfabetos acadêmicos com nível universitário. Afinal, qual o valor de se desenvolver uma boa redação? Não é pela tarefa em si, mas pelo que representa em termos de raciocínio e capacidade de argumentação. Quando acompanhamos na mídia o embate entre países pela regulamentação do comércio internacional, não estamos vendo uma disputa baseada em números contábeis ou em classificações matemáticas. Estamos, sim, assistindo a um verdadeiro duelo de idéias, que precisam de mentes treinadas para elaborar argumentos e expressá-los com eloqüência.
Enquanto embaixadores, negociadores e empresários se engalfinham em retóricas comerciais, nós também temos de desenvolver raciocínios comerciais mais bem elaborados e dar para nossas idéias uma argumentação que lhes permita aceitação e implementação. Em síntese, dominar a mesma técnica necessária para elaborar uma boa redação.
Parece estranho que nosso sucesso comercial como nação dependa da habilidade dos cidadãos em desenvolver uma boa redação, mas não se trata apenas da formação de literatos. Trata-se do domínio da tecnologia do pensar, do expressar, do compartilhar. A era das guerras físicas chega ao fim, mesmo com conflitos sangrentos. Os confrontos deste século serão cada vez mais intelectuais. O predomínio da mente sobre a força bruta.
Nessa nova arena, a quantidade perde terreno para a qualidade. Não se contarão vitórias pelo número de alfabetizados, mas pela habilidade dessas pessoas em dominar as técnicas para compor e expressar idéias. Já superamos a Era do Conhecimento, na qual o acúmulo do saber era o diferencial competitivo. Estamos vivendo a Era da Cultura, na qual fará diferença a habilidade para selecionar o conhecimento de maior valia para determinado episódio.
Nessa esfera, a educação, que sempre foi apregoada como o meio para mudar o destino do país, passa a ser insumo de primeira necessidade. Deveríamos colocá-la entre os artigos da cesta básica do trabalhador brasileiro. Deveríamos fazer mutirões de educação e espalhar o conhecimento como quem distribui o pão a quem tem fome. E, para eliminar a fome, teríamos de alimentar o saber.
Entre a necessidade de assinar o nome e a urgência em dominar a redação, passaram-se 100 anos. Para darmos o salto em direção à elaboração de teses científicas para a competitividade do país, não teremos sequer uma década. Estamos vivendo muitos mundos simultâneos, nos quais as eras agrícola, industrial e comercial se sobrepõem. O desafio é fazer desse caldeirão um ambiente de aprendizagem, um laboratório de experiências, uma tribuna de diálogo e um campo de atuação da vanguarda.
Para isso, precisamos investir no desenvolvimento intelectual de nossos jovens. Precisamos de gente preparada para observar, conceber, desenvolver e exprimir idéias com desenvoltura e conhecimento. Precisamos de gente que, em uma simples redação, seja capaz de fazer a narrativa que irá contar a história do futuro.

                            (MAGALHÃES, Dulce. O analfabeto do futuro. In: Revista Amanhã, p.74)   

     

WALL-E: REFLEXÃO SOBRE O CONSUMO E DESCARTE DE RESÍDUOS.

Assisti há bastante tempo, a animação Wall-e, da Pixar/Disney Filmes, e percebi  o quanto este desenho animado nos faz refletir sobre a questão do descarte em uma sociedade consumista como a nossa.  Ao pesquisar  mais sore o assunto encontrei  um artigo interessante sobre o filme e o modo como ele promove um debate em torno do tema “resíduos sólidos” .Sendo assim, indico o filme  e a litura do artigo para quem se interessa sobre o assunto e que se preocupa com a ideia de sustentabilidade do Planeta.

Johniere Alves Ribeiro
PS: Segue abaixo o titulo e o resumo do artigo:
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ASSISTA O TRAILER: É SÓ CLICAR
WALL–E NA SOCIEDADE DO DESCARTE – UMA REFLEXÃO SOBRE O
CONSUMO COMO ORGANIZADOR DA VIDA

CARLA SIMONE CORRÊA MARCON (UNIVERSIDADE LUTERANA DO BRASIL),
SANDRO FACCIN BORTOLAZZO (ULBRA).


Resumo

Um robô responsável por compactar lixo deixado pelos seres humanos é o núcleo
do longa–metragem WALL–E, animação da Pixar. Este artigo procura articular
perspectivas a partir de algumas preocupações permanentes frente a uma era
movida pela instantaneidade e caracterizada pelo desperdício, consumo excessivo e
o constante descarte. O filme revela um panorama do planeta no ano de 2700,
expondo questionamentos de cunho ambiental, político, tecnológico e sociológico.
Ferramentas teórico–conceituais tomadas de Zygmunt Bauman são empregadas
neste trabalho para assinalar características da contemporaneidade diante dos
problemas enfrentados pela sociedade do efêmero, da velocidade e do espetáculo.
Para tal análise, utiliza–se o conceito de pedagogia cultural a partir de Shriley
Steinberg e Joe Kincheloe com ênfase no seu caráter pedagógico. A utilização de
um texto fílmico imerso no campo dos estudos culturais tem o intuito de apontar o
cinema como um meio para o “ensinar”. Tendo como ênfase as questões
relacionadas ao consumo e a educação, bem como suas repercussões na vida
contemporânea, a película como um instrumento pedagógico tem se mostrado um
importante artefato para pensar a formação de sujeitos na contemporaneidade.
WALL–E, além de ter sido indicado ao Oscar e levado a estatueta, traz ao público
um alerta com relação ao meio ambiente, o uso das novas tecnologias e suas
conseqüências sociais.

Palavras-chave:
Educação, Pedagogias Culturais, Sociedade de Consumidores.

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RESENHA DO FILME


WALL·E é um filme de animação americano de 2008 produzido pela Pixar Animation Studios e dirigido por Andrew Stanton. A história segue um robô chamado WALL·E, criado para limpar a Terra coberta por lixo em um futuro distante. Ele se apaixona por um outro robô chamado EVA, e a segue para o espaço em uma aventura que irá mudar seu destino e o destino da humanidade.
Depois de dirigir Finding Nemo, Stanton achou que a Pixar havia criado simulações críveis de físicas submarinas e estava disposto a dirigir um filme que se passasse em sua maior parte no espaço. A maioria dos personagens não possuem uma voz humana, se comunicando com línguagens corporais e sons, criados por Ben Burtt, que lembram vozes. Além disso, é o primeiro filme da Pixar a ter segmentos com atores reais.
A Walt Disney Pictures lançou o filme nos Estados Unidos e Canadá no dia 27 de junho de 2008. Arrecadou um total de US$ 23.2 milhões em seu primeiro dia, e US$ 63.1 milhões no primeiro fim de semana em 3.992 cinemas, estreando em primeiro lugar nas bilheterias, sendo a sexta melhor estréia da Pixar na história. Seguindo a tradição do estúdio, o curta-metragem Presto foi anexado as cópias de WALL·E em seu lançamento.
WALL·E foi aclamado pela crítica especializada, conseguindo um indíce de aprovação de 96% no agregador de resenhas Rotten Tomatoes.[2] Arrecadou um total de US$ 521.311.860 no mundo inteiro,[1] vencendo o Golden Globe Award de Melhor Filme de Animação, o Hugo Award de Melhor Apresentação Dramática, Forma Longa, e o Oscar de Melhor Filme de Animação, recebendo outras cinco indicações em diferentes categorias.[3] WALL·E aparece em primeiro na lista da TIME dos "Melhores Filmes da Década".[4]

Machado de Assis - Um Gênio da Literatura


Conheça um pouco de Machado de Assis e sua obra. Considero um dos maiores prosadores de nossa Literatura, pois inovou em muitos aspectos o modo de narrar, de construir os personagens e criar uma atmosfera de suspense diante da realidade.
Leia com atenção o texto que segue e veja como o "Bruxo do Cosme Velho" foi importante...


Johniere Alves Ribeiro


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CORREIO DAS ARTES/SETEMBRO DE 2008
100 anos de um gênio da literatura

Para muitos, é o maior escritor brasileiro de todos os tempos. Talvez seja, embora isso seja uma opinião subjetiva.
O certo é que Machado de Assis, cujo centenário de morte é lembrado neste mês de setembro, foi um escritor que esteve sempre além do seu tempo. Escreveu romances que se tornaram verdadeiros clássicos da literatura mundial, contos que até hoje são hoje referências para os novos ficcionistas, além de crônicas e poesias.
No ano do seu centenário, vários livros lançados no Brasil repõem o devido valor ao autor de “Dom Casmurro”. Entre eles, “Capitu mandou flores”, organizado por Rinaldo de Fernandes para a Geração Editorial e reúne contos escritos por autores contemporâneos a partir da obra do “Bruxo de Cosme Velho”.
Como se sabe, Joaquim Maria Machado de Assis nasceu no Rio de Janeiro, a 21 de junho de 1839 e morreu também no Rio de Janeiro, a 29 de setembro de 1908. Foi um romancista, contista, poeta e teatrólogo brasileiro, considerado um dos mais importantes nomes da literatura desse país e identificado, pelo crítico Harold Bloom, como o maior escritor afro-descendente de todos os tempos.
Sua vasta obra inclui também crítica literária. É considerado um dos criadores da crônica no país, além de ser importante tradutor, vertendo para o português obras como Os Trabalhadores do Mar, de Victor Hugo e o poema O Corvo, de Edgar Allan Poe. Foi também um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras e seu primeiro presidente, também chamada de Casa de Machado de Assis.
Era filho do mulato Francisco José de Assis, pintor de paredes e descendente de escravos alforriados, e de Maria Leopoldina Machado, uma portuguesa da Ilha de São Miguel. Machado de Assis, que era canhoto, passou a infância na chácara de D. Maria José Barroso Pereira, viúva do senador Bento Barroso Pereira, na Ladeira Nova do Livramento, (como identificou Michel Massa), onde sua família morava como agregada, no Rio de Janeiro. De saúde frágil, epilético, gago, sabe-se pouco de sua infância e início da juventude. Ficou órfão de mãe muito cedo e também perdeu a irmã mais nova. Não freqüentou escola regular, mas, em 1851, com a morte do pai, sua madrasta Maria Inês, à época morando no bairro em São Cristóvão, emprega-se como doceira num colégio do bairro, e Machadinho, como era chamado, torna-se vendedor de doces. No colégio tem contato com professores e alunos e é provável que tenha assistido às aulas quando não estava trabalhando.
Mesmo sem ter acesso a cursos regulares, empenhou-se em aprender e se tornou um dos maiores intelectuais do país, ainda muito jovem. Em São Cristóvão, conheceu a senhora francesa Madamme Gallot, proprietária de uma padaria, cujo forneiro lhe deu as primeiras lições de francês, que Machado acabou por falar fluentemente, tendo traduzido o romance Os Trabalhadores do Mar, de Victor Hugo, na juventude.
Também aprendeu inglês, chegando a traduzir poemas deste idioma, como O Corvo, de Edgar Allan Poe. Posteriormente, estudou alemão, sempre como autodidata.
De origem humilde, Machado de Assis iniciou sua carreira trabalhando como aprendiz de tipógrafo na Imprensa Oficial, cujo diretor era o romancista Manuel Antônio de Almeida. Em 1855, aos quinze anos, estreou na literatura, com a publicação do poema "Ela" na revista Marmota Fluminense. Continuou colaborando intensamente nos jornais, como cronista, contista, poeta e crítico literário, tornando-se respeitado como intelectual antes mesmo de se firmar como grande romancista. Machado conquistou a admiração e a amizade do romancista José de Alencar, principal escritor da época.
Em 1864 estréia em livro, com Crisálidas (poemas). Em 1869, casa-se com a portuguesa Carolina Augusta Xavier de Novais, irmã do poeta Faustino Xavier de Novais e quatro anos mais velha do que ele. Em 1873, ingressa no Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas, como primeiro-oficial. Posteriormente, ascenderia na carreira de servidor público, aposentando-se no cargo de diretor do Ministério da Viação e Obras Públicas.
Podendo dedicar-se com mais comodidade à carreira literária, escreveu uma série de livros de caráter romântico. É a chamada primeira fase de sua carreira, marcada pelas obras: Ressurreição (1872), A Mão e a Luva (1874), Helena (1876), e Iaiá Garcia (1878), além das coletâneas de contos Contos Fluminenses (1870), , Histórias da Meia Noite (1873), das coletâneas de poesias Crisálidas (1864), Falenas (1870), Americanas (1875), e das peças Os Deuses de Casaca (1866), O Protocolo (1863), Queda que as Mulheres têm para os Tolos (1864) e Quase Ministro (1864).
Em 1881, abandona, definitivamente, o romantismo da primeira fase de sua obra e publica Memórias Póstumas de Brás Cubas, que marca o início do realismo no Brasil. O livro, extremamente ousado, é escrito por um defunto e começa com uma dedicatória inusitada: "Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver dedico como saudosa lembrança estas Memórias Póstumas". Tanto Memórias Póstumas de Brás Cubas como as demais obras de sua segunda fase vão muito além dos limites do realismo, apesar de serem normalmente classificados nessa escola. Machado, como todos os autores do gênero, escapa aos limites de todas as escolas, criando uma obra única.
Na segunda fase suas obras tinham caráter realista, tendo como características: a introspecção, o humor e o pessimismo com relação à essência do homem e seu relacionamento com o mundo. Da segunda fase, são obras principais: Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881), Quincas Borba (1892), Dom Casmurro (1900), Esaú e Jacó (1904), Memorial de Aires (1908), além das coletâneas de contos Papéis Avulsos (1882), Várias Histórias (1896), Páginas Recolhidas (1906), Relíquias da Casa Velha (1906), e da coletânea de poesias Ocidentais. Em 1904, morre Carolina Xavier de Novaes, e Machado de Assis escreve um de seus melhores poemas, Carolina, em homenagem à falecida esposa. Muito doente, solitário e triste depois da morte da esposa, Machado de Assis morreu em 29 de setembro de 1908, em sua velha casa no bairro carioca do Cosme Velho. Nem nos últimos dias, aceitou a presença de um padre que lhe tomasse a confissão. Bem conhecido pela quantidade de pessoas que visitaram o escritor carioca em seus últimos dias, como Mário de Alencar, Euclides da Cunha e Astrogildo Pereira (ainda rapaz e por isso desconhecido dos demais escritores), ficcionalmente o tema da morte de Machado de Assis foi revisto por Haroldo Maranhão.
O crítico norte-americano Harold Bloom considera Machado de Assis um dos 100 maiores gênios da literatura de todos os tempos (chegando ao ponto de considerá-lo o melhor escritor negro da literatura ocidental), ao lado de clássicos como Dante, Shakespeare e Cervantes. A obra de Machado de Assis vem sendo estudada por críticos de vários países do mundo, entre eles, Giusepe Alpi (Itália), Lourdes Andreassi (Portugal), Albert Bagby Jr. (Estados Unidos da América), Abel Barros Baptista (Portugal), Hennio Morgan Birchal (Brasil), Edoardo Bizzarri (Itália), Jean-Michel Massa (França), Helen Caldwell (Estados Unidos da América), John Gledson (Inglaterra), Adrien Delpech (França), Albert Dessau (Alemanha), Paul Dixon (Estados Unidos da América), Keith Ellis (Estados Unidos da América), Edith Fowke (Canadá), Anatole France (França), Richard Graham (Estados Unidos da América), Pierre Hourcade (França), David Jackson (Estados Unidos da América), Linda Murphy Kelley (Estados Unidos da América), John C. Kinnear, Alfred Mac Adam (Estados Unidos da América), Victor Orban (França), Houwens Post (Itália), Samuel Putnam (Estados Unidos da América), John Hyde Schmitt, Tony Tanner (Inglaterra), Jack E. Tomlins (Estados Unidos da América), Carmelo Virgillo (Estados Unidos da América), Dieter Woll (Alemanha) e Susan Sontag (Estados Unidos da América).

(O Correio das Artes é o suplemento literário mais antigo em circulação no Brasil. Foi criado em 27 de março de 1949 por Édson Régis. Circula encartado, em formato revista, mensalmente, no jornal A União, da Paraíba. É editado por Linaldo Guedes e tem programação visual de Cícero Félix. Entre seus colunistas fixos estão João Batista de Brito, Amador Ribeiro Neto, Hildeberto Barbosa Filho, Astier Basílio e Rinaldo de Fernandes.
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Escrito por Correio das Artes às 08h03