terça-feira, 12 de junho de 2012

Um pouco mais das relações existentes entre a Psicanálise e a Literatura.
Gostei muito deste artigo e por isso compartilho, espero que gotem também,


Johniere Alvesa Ribeiro

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Psicanálise e Literatura: A Interpretação
Olga de Sá


RESUMO
Trata-se das relações entre Psicanálise e Literatura, a partir dos textos de Psicanálise Aplicada de Freud, tendo como tema a interpretação de textos.
ABSTRACT
It is about the relationships between Pscychoanalysis and Literature, starting from the texts of Applied Pscychoanalysis of Freud, tends as theme the interpretation of texts.



Os estudos das relações entre Psicanálise e Literatura, Psicanálise e Semiótica estão, cada vez mais, na ordem do dia. Essas relações passam, necessariamente, pelo enfoque psicanalítico do texto do paciente e pelo enfoque literário ou/e semiótico do texto artístico, em geral, e mais especificamente, do texto literário, pois também a Psicanálise trabalha com o Verbal. Via interpretação.
A interpretação de textos artísticos e literários foi uma das atividades de análise, exercida por Freud.
Freud declarou que embora não fosse um conhecedor de arte, mas um leigo, no assunto, contudo as obras de arte sempre exerceram sobre ele um efeito poderoso, sobretudo a literatura e a escultura e, menos freqüentemente, a pintura. Passava longo tempo contemplando-as, tentando apreendê-las à sua maneira e explicar-se a razão de seu efeito sobre si mesmo e sobre outras pessoas.
Sua dificuldade maior era com a música, pois a inclinação racionalista ou analítica de sua mente insurgia-se contra o fato de emocionar-se sem poder explicar o motivo de tal comoção. Segundo Freud, as maiores criações de arte são incompreensíveis e constituem verdadeiros enigmas. Esse estado de "perplexidade intelectual" pode ser uma condição necessária para a fruição da obra de arte.
Freud, inconformado com essa falta de explicação, dirige sua análise então, para a intenção do artista, não para compreendê-la intelectualmente. Expressa na obra, essa intenção deve despertar em nós a mesma "constelação mental" que no artista produziu o ímpeto de criar.
Assim, a intenção do artista concretizada na obra, no texto, poderia ser compreendida e comunicada em palavras, como todos os outros fenômenos da vida mental.
Daí, segundo Freud, ser impossível compreender uma obra de arte, sem aplicar-lhe a Psicanálise, isto é, interpretá-la, descobrir-lhe o significado e o conteúdo. (Freud, 1992: 497).
Freud declara não ser atraído pelas qualidades formais e técnicas da arte, embora essas tenham mais valor para o artista.
Interessa-lhe saber de que fontes o artista - esse estranho ser - retira seu material e desperta em nós emoções que desconhecíamos. Somos também incapazes, por mais explicações que encontremos, de tornar-nos poetas ou escritores.
Freud levanta a hipótese de procurar, na infância, os traços da atividade imaginativa do artista. Encontra-os na atividade favorita e mais intensa da criança, que são os jogos e o brinquedo.
Ao brincar, toda criança comporta-se como um artista, cria um mundo novo, ajustando em forma nova os elementos de seu próprio mundo .
A antítese do brincar é o real.
O poeta faz o mesmo que a criança ao brincar: cria um mundo de fantasia, leva-o a sério, investe nele grande quantidade de emoção - catexia - e distingue-o muito bem da realidade.
Ao crescerem, diz Freud, as pessoas param de brincar e perdem o prazer da infância.
Mas não renunciam a ele. Trocam-no por outro, pelo fantasiar. Criam devaneios, difíceis de observar, porque os adultos se envergonham de suas fantasias e as ocultam, por serem infantis e, muitas vezes, por serem proibidas.
Conhecemos essas fantasias, porque muitas pessoas, vítimas de doenças nervosas, são obrigadas a revelar a um médico seus devaneios, para serem curadas. A Psicanálise é a melhor fonte de conhecimento das fantasias dos adultos, realizações de desejos reprimidos ( Freud, 1992: 423).
Assim, a ênfase que Freud coloca na infância, ao analisar uma obra de arte como a de Leonardo Da Vinci, por exemplo, deriva da suposição de que a obra literária como o devaneio é um substituto do brincar infantil (Freud, 1992 : 426).
Porque a obra de arte produz em nós prazer, quando o relato direto das fantasias de uma pessoa nos causa indiferença ou até repulsa?
A "ars poética" ou a técnica do escritor ou do poeta - sempre inexplicável para nós - é que nos leva a superar essas barreiras. Ou porque o escritor nos suborna com o prazer puramente formal ou estético que suaviza ou disfarça o caráter egocêntrico de seus devaneios ou porque o escritor nos proporciona um prazer semelhante ao seu, ao devanear: nos deleitamos com nossas próprias fantasias e nos liberamos de tensões (Freud, 1992: 426-7).
Essas idéias levaram Freud a endereçar sua pesquisa psiquiátrica a alguns grandes nomes da História da Arte e da Literatura, fazendo o que ele chamou a "psicografia do artista criador".
Declarou acreditar que "não existe ninguém tão grande que venha a ser desonrado simplesmente por estar sujeito às leis que regem, igualmente, as atividades normais e as patológicas"(Freud, 1992: 428).
Em seu ensaio "O poeta e a fantasia"(1908), que vamos citando, Freud focalizou a relação entre o brinquedo infantil e as fantasias criativas.
Na verdade o título inglês do ensaio "Creative Writers and Day - Dreaming" orientou a tradução brasileira da Ed. Imago "Escritores criativos e devaneios". Mas a palavra Dichter, do título alemão, refere-se tanto a romancistas como a dramaturgos e poetas.
Esse Ensaio é a maior contribuição de Freud para a compreensão da Psicologia da criação artística. Esta é, aliás, a opinião de Peter Gay, na breve introdução que lhe faz.
Freud também interpretou obras de Leonardo Da Vinci, Michelangelo, Dostoievski, Goethe, Shakespeare, Jensen, Hoffmann etc..
O primeiro estudo publicado, sobre obra literária em 1907, foi "Delírios e Sonhos na Gradiva de Jensen".
"Uma recordação infantil de Leonardo Da Vinci", de 1910, é uma biografia psicanalítica.
As considerações que Freud tece sobre a homossexualidade de Leonardo, como um tipo particular de escolha de objeto, como diz Peter Gay em seus comentários, guardam ainda hoje grande interesse (Freud, 1992: 427).
A Psicanálise descreve a psicografia de uma personalidade para compreender complexos e metamorfoses, leis da vida psicológica humana de pessoas célebres para ilustrar a teoria freudiana sobre o Inconsciente.
A Psicanálise não pretende explicar a criação artística, pois para Freud, o poeta é uma espécie de feiticeiro, guiado pela inspiração. As pulsões que levam um artista a criar seriam as mesmas que levam outras pessoas à neurose.
Porém, o artista exprime suas fantasias, torna-as aceitáveis e até prazerosas a outros, realizando os desejos próprios e os alheios.
Embora, o ensaio de Freud sobre "O Moisés de Michelangelo" seja, segundo Dante Moreira Leite, a melhor introdução sobre a maneira freuadiana de interpretar a obra de arte, por tratar-se de uma obra de escultura, não vamos enfocá-la (Leite, 1987: 117).
Vamos deter-nos em obras especificamente literárias. Por exemplo: "Uma lembrança infantil de Goethe" em Poesia e Verdade.
Segundo Freud, Goethe começou a redigir sua biografia aos 60 anos. Narra ele a cena das louças, cena de sua primeira infância. Goethe, com ciúmes de seus irmãos, incentivado pelos vizinhos, joga as louças recém-compradas pela janela, como faria "o filho único", desfazendo-se de seus irmãos.
Freud atribui grande valor às recordações da primeira infância. Um fato que escapa ao esquecimento não pode ser insignificante. Devemos suspeitar que o que foi conservado na memória é também parte importante dos acontecimentos daquela época da vida. Ou já tinha importância naquelas circunstâncias ou adquiriu-a mais tarde, sob a influência de situações posteriores. A fim de reconhecer sua relevância é necessário certo trabalho de interpretação. Na elaboração psicanalítica de uma biografia, muitas vezes, se consegue esclarecer o significado das primeiras recordações infantis. A recordação que se descreve primeiro é sempre a mais importante, a que encerra em si a chave dos compartimentos secretos da vida anímica daquela pessoa.
Mesmo levando em conta que o prazer de Goethe menino fosse causado pelo barulho das louças quebradas, jogar "pela janela" constituí parte importantíssima do ato mágico e de seu sentido oculto. A nova criança deve ser jogada "fora de casa", e, sendo possível, pela janela, que é por onde veio.
Eis o que escreve Goethe:
"Fui um filho de sorte; o destino conservou-me com vida, não obstante ter eu nascido aparentemente morto. Mas eliminou a meu irmão de modo que não precisei repartir, com ele, o amor da mãe" (apud Speyer, 1963: 44).
Goethe encabeçou sua biografia com estas palavras: "a raiz da minha força foi a minha posição privilegiada em relação à mãe" (apud Speyer, 1963: 45).
Freud se serve da análise de um texto literário para confirmar suas teorias, e, neste caso particular, o complexo de Édipo.
Analisa também o tema do parricídio na vida e na obra de Dostoievski, sublinhando o complexo de castração e o sentimento de culpa, processos derivados do complexo de Édipo.
Com o assassinato do pai, a realidade cumpriu os desejos reprimidos de Dostoievski, que passou a punir-se mais violentamente por meio dos ataques de epilepsia.
O ataque epilético é precedido por um instante de máxima felicidade, fixado talvez no sentimento de triunfo.
Semelhante sensação de triunfo e de pesar, encontramo-la retratada na obra de Dostoievski, Os irmãos Karamazoff, depois do assassinato do pai.
A condenação de Dostoievski pelo Czar (o paizinho) como delinqüente político, apesar de injusta, foi aceita pelo escritor, como substituição do castigo de que seu pecado contra seu verdadeiro pai o tinha tornado merecedor.
No romance, Dostoievski cria uma situação semelhante à sua própria: os filhos desejam matar o pai, e este é morto pelo irmão a quem Dostoievski atribui a epilepsia, como se quisesse confessar que o epilético, que havia nele, era um parricida (Freud, 1992: 203-23).
O fato de pesquisas recentes terem descoberto que o assassinato do pai de Dostoievski é duvidoso não tem grande importância. As psicobiografias não pretendem reconstruir a verdadeira infância do artista, mas descobrir que fantasias as obras de arte manifestam.
Ao analisar Os irmãos Karamazoff, por exemplo, Freud descreve a cisão da personalidade de Dostoievski nas várias personagens do romance como no estudo sobre Leonardo descreveu a escolha do objeto narcísico e certa forma de narcisismo.
Em "O tema dos três escrínios", "descreve a relação com os três aspectos maternos: a mãe que dá amor, que se torna uma parceira e que traz a morte. Sugere que a escolha do terceiro escrínio, o de chumbo, que faz Antônio em "O mercador de Veneza", representa a escolha da morte. De modo semelhante, interpreta Cordélia, em "Rei Lear", como símbolo da morte, e a reconciliação de Lear com Cordélia, a reconciliação com a morte". (Segal, 1993: 86).
Freud diz a respeito de suas próprias interpretações de obras de ficção:
"Como, aliás, todo o sintoma neurótico, e como o próprio sonho são possíveis de super-interpretação(1), que mesmo lhes é indispensável para serem exaustivamente compreendidos, assim também qualquer legítima criação poética terá nascido de mais de um motivo, de mais de um estímulo na alma do poeta, e possibilitará mais de uma interpretação. Eu aqui tentei interpretar apenas a camada mais profunda do que se passa na alma do poeta-criador" (Speyer, 1963: 52).
Em outra oportunidade diz a respeito de Shakespeare:
"Consideremos a obra-prima de Shakespeare, Hamlet, peça hoje com mais de três séculos. Tenho acompanhado de perto a literatura psicanalítica e aceito sua pretensão de que somente depois de ter tido o material da tragédia remontado pela psicanálise ao tema edipiano é que o mistério de seu efeito foi por fim explicado. Mas antes que isso fosse feito, que volumes de esforços interpretativos diferentes e contraditórios, que variedade de opiniões sobre o caráter do herói e as intenções do dramaturgo". (Freud, 1992: 497).
Foram feitas muitas críticas a Freud quanto à sua pretensão de atribuir uma única significação verdadeira e mais profunda para a obra de arte de um poeta ou artista criador: a encontrada pela análise psicanalítica. É inegável porém a contribuição da Psicanálise à arte, em geral, e à literatura, em especial, e da Arte à Psicanálise.
A Psicanálise tem tudo a ver com a palavra.
Embora tenha sido Lacan quem reexaminou todo o campo da linguagem, em Psicanálise, centrando-o no conceito de significante - tirado da lingüistica saussuriana - a partir de Breuer e Freud já se destaca o traço da "verbalização", na análise psicanalítica.
No caso de Anna O ., ela curou-se não só pela "tomada de consciência" de seu trauma, mas por ter finalmente falado o que nunca havia dito antes. Foi uma cura pela palavra, como a chamou Anna O .: "talking cure". Curou-se porque conseguiu dizer o nojo que sentiu, ao ver o cão beber água no copo.
As formações do Inconsciente são reguladas pela linguagem. "O Inconsciente é estruturado como linguagem", dirá Lacan. É o que acontece no sonho, cuja interpretação é chamada a via régia da Psicanálise. Texto complexo, sua leitura exige uma atenção particular do analista. É também o caso do chiste que engana a censura, dando a entender o que é proibido, como demonstra Freud em seu artigo: "Os chistes e sua relação com o Inconsciente"(1905). (Freud, 1992: V. VIII).
É o caso dos lapsos de linguagem, dos atos falhos que aludem a um desejo, expressando-o pela metáfora ou pela metonímia.
Aliás, para Lacan, é porque fala que o sujeito se pergunta "Quem sou eu?" e se engaja na busca do ser. Assim, Lacan designa o ser humano como "falasser", porque o ser é um efeito da linguagem.
A Linguagem é importante para o ser humano, na infância, antes mesmo da intenção de significar. O significante não é apenas um efeito de sentido. O "Homem dos ratos", analisado por Freud, é tomado pelo desejo de emagrecer. "Gordo" em alemão é "dick" e Dick é o nome de um rival, de quem o Homem dos ratos queria se desfazer. Matar Dick é o mesmo que "dick" = emagrecer.
O sintoma substitui o que não foi dito. O sintoma, no caso, é o "significante"de um significado, inacessível ao sujeito.
O "Homem dos lobos", também analisado por Freud, é um exemplo conhecido e esclarecedor. Aparece, no tratamento, sempre o mesmo símbolo representado pela letra V ou o cinco romano V. Às cinco da tarde o paciente tinha crises depressivas, em sua infância. Essa também era a hora de uma cena primitiva: ele vira os pais mantendo relação sexual. Teve também conflitos com diversas pessoas, cujo nome começava com V ou W. em sonhos; simbolizando a castração, são arrancadas as asas de uma vespa (Wespe) que ele diz espe ou SP. O V invertido à representa as orelhas dos lobos.
Assim, talvez se devesse fazer referência mais à poética que à lingüística, quando se trata de interpretação. O analista deve estar atento às diversas conotações do significante. A estrutura da linguagem não se esgota na dimensão horizontal: sintaxe e articulação de sintagmas. Mas se torna mais complexa com as figuras ou tropos: metáfora - uma palavra substitui outra - ou metonímia - conexão de uma palavra com outra. Assim se criam novas significações.
Metáfora e metonímia podem ser aproximadas dos processos oníricos: condensação e deslocamento.
O texto literário e o texto do paciente exigem interpretação. Existe sempre um sentido manifesto e um sentido latente, que o analista faz surgir. Esta foi uma das principais contribuições de Freud ao conhecimento do sujeito humano.
Também , no caso dos sonhos, se interpreta o sonho manifesto, para que se revele o sentido latente, escondido freqüentemente sob seus aspectos absurdos e incoerentes, levando sempre em conta as associações do sonhador.
A interpretação jamais deve privilegiar um sentido em detrimento de outros possíveis, devido a cadeias associativas diferentes.
A polissemia caracteriza a linguagem. A poesia, por exemplo, faz ressoar muitos sentidos.
Assim também, o analista evita que suas intervenções sejam entendidas como unívocas. Mas, baseado nas palavras mestras que orientam a história do paciente, o analista faz valer o caráter polissêmico das palavras.
A interpretação apresenta ao paciente novas significações, como acontece na interpretação de um texto literário. O crítico ou analista de uma obra literária jamais afirma que sua leitura é a verdadeira, e muito menos, a única possível.
As aproximações que nos ocorrem a respeito de interpretação psicanalítica e interpretação literária nos fazem lembrar da paródia e da paráfrase.
Geralmente se entende paródia no sentido de burla ou zombaria.
Tomamos paródia no seu sentido etimológico de "canto paralelo". A paródia, neste sentido, é um texto-segundo, que se constrói sobre um texto-primeiro, que lhe serve de suporte. Existe, portanto, a paródia séria, sobre um texto, que o artista admira e respeita e com o qual dialoga, uma espécie de intertexto.
Teçamos algumas considerações apoiadas nas observações de Affonso Romano de Sant'Anna.
A paródia é modernidade. Embora não seja recente, intensificou-se o seu uso.
A paródia se define como um jogo de textos e este aspecto é que nos interessa, no momento. Um jogo de textos em que os dois planos aparecem deslocados. Emprega-se a fala de um outro, no caso da Psicanálise, do Inconsciente. A segunda voz, depois de se ter alojado na outra fala, obriga-a a decifrar-se.
A paráfrase não acentua esse aspecto de deslocamento. Ela traduz. Colhendo um conhecido exemplo literário, segundo Sant 'Anna:
Texto original: Gonçalves Dias:
Minha terra tem palmeiras
Onde canta o sabiá
As aves que aqui gorjeiam
Não gorjeiam como lá
Paráfrase - Carlos Drummond de Andrade - "Europa, França e Bahia"
Meus olhos brasileiros se fecham saudosos
Minha boca procura a "Canção do Exílio"
Como era mesmo a "Canção do Exílio?"
Eu tão esquecido da minha terra...
Ai terra que tem palmeiras onde canta o sabiá!
Paródia - Oswald de Andrade - "Canto de regresso à Pátria"
Minha terra tem palmares
onde gorjeia o mar
os passarinhos daqui
não cantam como os de lá.
Na paráfrase de Drummond, o deslocamento é mínimo e ele usa uma técnica de citação ou transcrição. No texto de Oswald, o distanciamento é grande e ocorre um processo de inversão de sentido.
A paródia está do lado do novo, do diferente; a paráfrase, do lado do idêntico, do semelhante. A paródia contesta. A paráfrase é conservadora.
Na paráfrase alguém está abrindo mão de sua voz para deixar falar a voz do outro. Na paródia, busca-se a fala recalcada do outro.
A paráfrase é um discurso sem voz, pois está falando o que o outro já disse. Não há a tensão entre os dois jogadores. A paródia é uma disputa aberta de sentido, um choque de interpretação.
Pode-se também explorar a relação que existe entre paródia e representação. A representação na literatura está ligada ao drama e ao teatro; mas, na psicanálise, representação é re-apresentação.
A re-apresentação psicanalítica é a emergência de algo que ficou recalcado e agora volta à tona. É como o que ocorre no sonho. O sonho nos re-apresenta algum desejo não realizado no dia-a-dia. O sonho nos possibilita desrecalcar e liberar nossas tensões. O texto paródico faz uma re-apresentação do discurso. A paráfrase é uma espécie de espelho. A paródia é uma lente que exagera os detalhes de tal modo que pode converter uma parte num elemento dominante. Ela procura decifrar o enigma da Linguagem, busca a diferença e autonomia. (Sant'Anna, 1988: cap. 5 e 6).
Em certos casos, no contexto psicanalítico, o doente sofre de uma afasia sensorial e não pode pronunciar a palavra; permanece na paráfrase enquanto repetição, e não encontra o sinônimo.
Lembremos a afirmação de Heidegger: "A linguagem é a casa do ser" e, portanto, as patologias da linguagem são sintomáticas das patologias do ser e estas sempre se manifestam na linguagem.




REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CHEMAMA, Roland (1995). Dicionário de psicanálise, trad. Francisco Franke Settineri. Porto Alegre: Artes Médicas Sul.
DICIONÁRIO DE PSICANÁLISE (1994). Freud & Lacan. Salvador, Bahia: Ágalma.
FREUD, Sigmund, 1856/1939 ( 1992). Sigmund Freud: obras psicológicas: antologia organizada e comentada por Peter Gay; comentários traduzidos por Arthur Netrovski, RJ: Imago Ed..
___________ "Escritores Criativos e Devaneios", in Edição Standard Brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud, trad. sob Direção Geral de Jayme Salomão. Rio de Janeiro: Imago Ed., vol. IX.
___________ "Uma recordação infantil de Leonardo da Vinci", in o .c., vol. XI.
___________ "A Gradiva, in o . c. , vol. IX.
___________ "Chistes e sua relação com o Inconsciente", in o .c., vol. VIII.
___________ "Uma neurose infantil" ( Homem Lobo), in o . c. , vol. XVII.
___________ "Dostoievski e o parricídio", in o . c., vol. XXI.
___________ "O tema dos três escrínios", in o . c..
GARCIA-ROZA, Luiz Alfredo ( 1991). Introdução à metapsicologia freudiana. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., v.2 e 3.
GAY, Peter ( 1989). Freud: uma vida para nosso tempo; trad. Denise Bottman. São Paulo: Companhia das Letras.
JENSEN, Wilhelm (1992). Gradiva - Uma fantasia pomperiana, tradução Angela Melim. Rio de Janeiro, Jorge Zahar Ed..
LAPLANCHE; J. e PONTAILS; J. B. (1967). Vocabulário da Psicanálise, trad. de Pedro Tamen. Santos: Livraria Martins Fontes.
LEITE, Dante Moreira. (1987) Psicologia e literatura. 4ª. ed.. São Paulo: Hucitec/Ed. Unesp.
PSICANÁLISE; MENTE E ARTE - NA PERSPECTIVA DE RICHARD WOLHEIM/JIM HOPKINS E ANTHONY SAVILLE, orgs, (1995); trad. de José Luiz da Silva e outros. Campinas. São Paulo: Papirus.
SANT'ANNA, Affonso Romano (1988). Paródia, Paráfrase & Cia. 3ª. ed.. São Paulo: Ática.
SEGAL, Hanna (1993). Sonho, fantasia & arte, Trad. Belinda Haber Mandelbaum. Rio de Janeiro: Imago Ed..
SPEYER, W. S. Jonas (1963). Freud, o desconhecido. Assis: FFCL..

O QUE O MERCADO DE TRABALHO VALORIZA NAS PESSOAS

A cada dia o mercado de trabalho se torna mais exigente. Encontrar um emprego pode até ser fácil, mas manter-se nele é que é difícil.  Para se fixar n o mercado é preciso muita competência e, principalmente, estudar, ler estar bem informado sobre os assuntos tanto do trabalho como do cotidiano. Pois, nos é notório que terminar um Ensino Médio ou uma Graduação, ter um curso de datilografia ou de informática não são mais critérios relevantes na  busca de emprego fixo.
Por isso, se você está interessado em como fazer sua parte para que o sonhado emprego surja esteja preparado e leia o que Milet aconselha.
Johniere Alves Ribeiro


O que o mercado de trabalho valoriza nas pessoas? Saiba quais são as 10 principais qualidades
Por Paulo Barreira Milet | Eschola.com – 11/03/2012 19:57:00
Outro dia eu conversava com um amigo empresário e ele me perguntava quais seriam as principais características que eu valorizava em um empregado.
Eu nunca havia pensado nisso de um modo estruturado, mas em mais de 30 anos de atividades profissionais como empregado, gerente, consultor e empresário, acabei desenvolvendo uma lista de critérios que usei ao longo da vida e que agora compartilho com os leitores.
Essa lista não tem nenhuma pretensão científica e nem esgota o assunto. Mas reflete minha opinião, sedimentada ao longo dos anos. Coincidentemente, vi no Yahoo! Uma matéria tratando exatamente do caso contrário, “Os 10 comportamentos mais inadequados no trabalho”. Certamente os dois se complementam.
Usei o gênero masculino nos exemplos apenas para não ficar cansativo, mas certamente se aplicam, e bem, também às mulheres:
1. Iniciativa/Liderança: O LÍDER
Não esperar ordens para se mover. Fazer em primeiro lugar. Propor, sugerir, antecipar. Ter a habilidade para convencer e/ou motivar as pessoas a fazer algo, tanto por atos, quanto por palavras e exemplos. Proativo. Auto motivável.
2. Criatividade/Flexibilidade: O CRIATIVO
Capacidade de criar coisas novas; espírito inventivo; olhar um assunto por vários ângulos. Estar preparado e predisposto para mudanças. Ser adaptável. Ouvir e procurar compreender a motivação dos outros.
3. Trabalho em equipe: O AGREGADOR
Gostar de trabalhar em grupo. Capacidade de se alinhar com pessoas que trabalham na mesma tarefa, ou que unem os esforços com um mesmo propósito. Ter o espírito de solidariedade que anima os membros de um mesmo grupo. Saber elogiar (pode ser em público) e saber repreender (sempre em particular).
4. Capacidade de aprender e de mudar: O APRENDIZ
Gostar de coisas novas, ser curioso. Capacidade de procurar as respostas por si mesmo. Observador. Buscar entender o porquê das coisas. Capacidade de modificar, transformar, converter seu comportamento em função de fatos novos.
5. Respeito à opinião alheia: O EDUCADO
Tratar alguém ou alguma coisa com cuidado, atenção, deferência; Ter consideração, reverência. Capacidade de entender motivações diferentes das suas. Aceitar a diversidade, a divergência e a variedade de opiniões e comportamentos.  Saber ouvir. Não se irritar por bobagem.
6. Visão de cliente/qualidade: O SERVIDOR
Ter a visão de que a pessoa que compra ou usa um bem ou serviço entregue por você (dentro ou fora da empresa) é o principal mantenedor do seu emprego. Entender qualidade como a satisfação e superação das necessidades do cliente. Querer fazer sempre melhor.
7. Elegância no tratar e no agir: O ELEGANTE
Tratar as pessoas de modo íntegro, reto e ético. Demonstrar distinção na forma, na maneira, nos trajes. Saber escolher as palavras conforme a ocasião. Criar clima de respeito e colaboração. Ser uma pessoa “do bem”. Simpático, atencioso.
8. Assumir compromissos e cumpri-los: O CUMPRIDOR
Ter comprometimento. Saber se posicionar. Entender a importância de realizar a tarefa no tempo e com a qualidade prevista. Cumprir prazos. Ser confiável. Antecipar problemas que possam surgir. Não fugir da responsabilidade.
9. Experiência anterior/Conhecimento geral: O EXPERIENTE
Ter passado por situações similares. Saber reconhecer padrões. Conhecer modelos de processos, sistemas e organizações diversas. Gosta de ler e debater temas do momento. Conhecer e reconhecer estilos de pessoas. Ter a formação básica necessária.
10. Conhecimento para o cargo: O PREPARADO
Ter as informações e conhecimento para o desempenho das tarefas. Conhecer os manuais de procedimentos. Saber as normas e rotinas da empresa.
Vocês vão perceber que coloquei conhecimento para o cargo como o número 10. Se você tiver as outras nove, a décima você aprende rápido!
Depois de pronta, percebi que a lista não serve apenas para empregados, mas também para gerentes, empresários, sócios, estudantes e simples colegas de trabalho. (Leitor, qual é a sua lista?)
Se você tiver várias dessas características, pode ter certeza que vai crescer profissionalmente. Se o seu chefe não valorizá-las, sinto muito: Troque de chefe. Ele não te merece!
Paulo Barreira Milet é empresário, sócio diretor da Eschola.com, Matemático pela UnB com MBA pela FGV/RJ

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Dicas - Concurso Público

Está estudando para concurso público? Veja o que o texto abaixo sugere. São dicas interessantes e que podem ser aplicadas tanto aos concusos público quanto aos vestibulares da vida. 
Boa leiutra. 

Johniere


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Passo a passo de como ser aprovado em um concurso público
Por Cláudia Jones | – 01/06/2012.

Estamos inaugurando um novo ponto de encontro dos concurseiros, onde os assuntos relacionados a concursos serão sempre priorizados neste espaço. Eu gostaria de começar nosso bate-papo falando sobre o sonho de ingressar no serviço público que, para ser concretizado, precisa de certos cuidados e regras que muitos candidatos desconhecem. Para haver diferença entre você e o “outro”, não basta comprar um monte de apostilas e estudar o dia inteiro, imaginando que o esforço será satisfatório. Não, não é, e as chances de você não obter êxito são imensas.
Milhares de candidatos buscam, a cada autorização de concurso anunciada ou edital lançado, uma vaga no serviço público. São homens e mulheres, de todas as idades, em busca de bons salários, estabilidade no emprego e a certeza de uma aposentadoria tranquila. No entanto, o “concurseiro” que realmente pretende se preparar bem deve seguir etapas, que vão desde a decisão pela área a ser estudada aos simulados, considerada a fase final de todo o processo que antecede as provas. 
Quando ele decide estudar para concurso público, deu o passo fundamental, vislumbra o próprio futuro, mas não é tudo. É preciso que esse candidato, antes de mais nada, escolha a área que vai estudar para se debruçar sobre o conteúdo básico, aquele que será cobrado dentro de uma área específica, como fiscal ou bancária, por exemplo, independente do concurso que optar mais adiante. Seguindo esse primeiro passo, o de conhecimento das disciplinas básicas, ele terá uma boa base para quando sair o concurso pretendido.
Depois, é estudar o conteúdo específico exigido no edital. Com a publicação, o candidato poderá fazer um curso complementar, com os conteúdos que são novidade para ir se aprofundando nas disciplinas específicas, aquelas que não constam de conteúdos básicos.
É chegada a etapa seguinte, a de aplicar o que foi aprendido dentro da sala de aula, fazer exercícios de provas anteriores da mesma banca organizadora do concurso para o qual vem se preparando. Assim, o candidato saberá como aquela determinada banca exigiu aquele conteúdo naquela prova e até mesmo o que mais costuma cobrar ou não em cada disciplina.
Porém, nem mesmo após ter feito todas as provas anteriores o candidato pode pensar que chegou ao final da maratona. É quando deverá voltar suas atenções para os simulados. Eles darão a exata ideia de como será a "prova de verdade”, o processo de seleção, porque as questões são elaboradas por professores nos moldes da banca organizadora. Assim, o aluno poderá participar da experiência de se sentir como em um dia de prova: ele terá quatro horas para responder o mesmo número de questões que será exigido no concurso, com marcação de cartão-resposta.
É basicamente a simulação de uma prova. Mas para chegar a essa etapa, aconselho que o candidato não pule as demais, porque atropelaria todo o processo: primeiro estudar a teoria, fazendo uma turma básica ou estudando sozinho em casa; treinar a banca com exercícios e depois se preparar para qualquer prova que possa cair na mão dele. Assim, o candidato – que pode ser você! -  vai estar na frente dos demais que não fizeram simulados.
Também não esqueça de ler o edital com atenção para conhecer as regras do concurso; nele estarão todas as informações que você precisa para garantir sua inscrição e orientar seus estudos. Outra dica é examinar a sua rotina diária e definir os horários que dedicará ao estudo para ter organização e tranquilidade suficientes quando estiver entre os livros e apostilas.
Lembre-se que o desejo de ingressar em um órgão público multiplicou-se na mesma proporção que a dificuldade de conquistar bons empregos na iniciativa privada. As instituições governamentais oferecem salários, em geral, superiores aos pagos pelos outros setores, além da estabilidade oferecida. O número de inscritos em concursos públicos aumenta a cada ano, surpreendendo até as estatais e fundações que abrem as seleções. É gente que acredita que sonhos se transformam em realidade e que dependem apenas do esforço pessoal de cada um.
Bons estudos!

quinta-feira, 7 de junho de 2012

FIGURAS DE LINGUAGEM

Figuras de estilo / figuras de Retórica (Portugal) ou figuras de linguagem (Brasil) são estratégias que o escritor pode aplicar no texto para conseguir um efeito determinado na interpretação do leitor. São formas de expressão mais localizadas em comparação às funções da linguagem, que são características globais do texto. Podem relacionar-se com aspectos semânticos, fonológicos ou sintáticos das palavras afetadas. É muito usada no dia-a-dia das pessoas, nas canções e também é um recurso literário.
Segundo Mauro Ferreira, a importância em reconhecer figuras de linguagem está no fato de que tal conhecimento, além de auxiliar a compreender melhor os textos literários, deixa-nos mais sensíveis à beleza da linguagem e ao significado simbólico das palavras e dos textos. Mas, acredito que não só, o interessante do aprendizado deste conteúdo nos ajuda a perceber que o uso das figuras de linguagem também está em nosso cotidiano, quando dizemos, por exemplo: “ Minha boca é um túmulo. 
Trago estes conceitos sobre figuras de linguagem, porque não aceito o que algumas gramáticas normativas indicam: “ figuras de linguagem são desvios da linguagem culta”, o que não verdade.  
 
Definição: Figuras de linguagem são certos recursos não-convencionais que o falante ou escritor cria para dar maior expressividade à sua mensagem.

Johniere Alves Ribeiro
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  • Metáfora – emprego de um termo com significação de outro em vista de uma relação de semelhança entre ambos. É uma comparação subentendida. Ex.: “O Brasil é novo, é um país pivete” (Abel Silva).
  • Comparação – aproximação de dois termos entre os quais existe alguma semelhança, como na metáfora. Existe, porém, a presença de conectivo. Ex.: A cada chuva caía como lágrimas de um céu.
  • Hipérbato – toda construção que se afasta da ordem direta (inversão). Ex.: Ao ódio venceu o amor.
  • Prosopopéia (também chamada de personificação ou animismo) – é uma espécie de metáfora que consiste em atribuir características humanas a outros seres. Ex.: Com a passagem da nuvem, a lua se tranqüiliza.
  • Sinestesia – é uma espécie de metáfora que consiste na união de impressões sensoriais diferentes. Ex.: Um doce abraço indicava que o pai o desculpara (doce = sensação gustativa; abraço = sensação tátil).
  • Catacrese – é o emprego de um termo figurado por falta de um termo próprio para designar determinadas coisas. Trata-se de uma metáfora necessária, que, desgastada pelo uso, já não representa recurso expressivo da língua. Ex.: Sentou-se no braço da poltrona para descansar.
  • Metonímia – é a substituição do sentido da palavra ou expressão por outro sentido, havendo entre eles uma relação lógica. Ex.: Ouvi Mozart com emoção (Mozart = a música de Mozart).
  • Sinédoque – é uma metonímia em que a relação íntima advém do uso da parte pelo todo ou do todo pela parte. Em outras palavras: o subconjunto é usado pelo conjunto e vice-versa. Ex.: Não é fácil ter um teto (casa); Duas cabeças de boi (o animal todo).
  • Perífrase – expressão que designa um ser através de alguma de suas características ou atributos, ou de um fato que o celebrizou. Ex.: A Cidade Luz continua linda (Cidade Luz = Paris).
  • Anáfora – repetição de uma mesma palavra no início de versos ou frases. Ex.: "Olha a voz que me resta / Olha a veia que salta / Olha a gota que falta / Pro desfecho que falta / Por favor." (Chico Buarque).
  • Anadiplose – é a repetição de palavra ou expressão de fim de um membro de frase no começo de outro membro de frase. Ex.: "Todo pranto é um comentário. Um comentário que amargamente condena os motivos dados."
  • Antítese – consiste no emprego de termos em sentidos opostos. Ex.: “Tristeza não tem fim/ Felicidade sim...” (Vinícius de Morais).
  • Paradoxo – idéias contraditórias num só pensamento Ex.: "dor que desatina sem doer" (Camões).
  • Eufemismo – abrandamento, atenuação de uma expressão de sentido desagradável. Ex.: Aqueles homens públicos se apropriaram do dinheiro (apropriar = roubar).
  • Hipérbole – Figura que, através do exagero, procura tornar mais expressiva uma idéia. Ex.: Possuía um mar de sonhos e aspirações.
  • Onomatopéia – consiste na imitação do som ou da voz natural dos seres. Ex.: O coim-coim dos porcos parecia uma orquestra desafinada.
  • Aliteração – consiste na repetição de sons consonantais no início ou no interior das palavras. Ex.: Ele era bruto, bravo, como a agreste região onde nascera.
  • Assonância – repetição dos mesmos sons vocálicos. Ex.: "Sou um mulato nato no sentido lato mulato democrático do litoral." (Caetano Veloso).
  • Elipse – ocorre quando há ocultamento de um termo, que fica subentendido pelo contexto e que é facilmente identificado. Ex.: Na rua deserta, nenhum sinal de bonde. (omissão de não havia).
  • Zeugma – é a elipse, numa oração, de uma palavra expressa na oração anterior. Ex.: “Nossos bosques têm mais vida/ Nossa vida mais amores” (Gonçalves Dias).
  • Pleonasmo – emprega palavras desnecessárias por repetirem idéias servindo para dar força e energia ao pensamento. Ex.: “Nunca jamais se viu tanto peixe assim” (Vinícius de Morais).
  • Anacoluto – é a interrupção abrupta de um pensamento que teria curso normal. Ex.: O Alexandre, as coisas não lhe correm bem.
  • Assíndeto – são omitidas as conjunções da oração. Ex.: Toda mãe seduz. Aquece, acaricia, fascina, atrai, deslumbra.
  • Polissíndeto – repetição exagerada de conectivo (geralmente coordenativo). Ex.: Uma procissão de rendas e sedas e leques e véus e diamantes e olhos de todas as cores.
  • Gradação – dispõe de palavras e idéias por ordem crescente ou decrescente da sua significação. Ex.: “Por uma omissão perde-se uma inspiração, por uma inspiração perde-se um auxílio, por um auxílio, uma contrição, por uma contrição, uma alma.” (Padre Antônio Vieira) (gradação crescente).
  • Silepse – concordância que se faz com a idéia que se tem no pensamento e não com a palavra que se encontra no texto. É uma concordância anormal, psicológica. De Gênero: Pedro é um Maria-vai-com-as-outras. (Pedro = masculino, Maria-vai-com-as-outras = feminino). De Número: O povo tem vontade. Falta-lhes líder. (Povo = singular, lhes = plural). De Pessoa: Os dois íamos calados. (Os dois = 3 pessoa do plural, íamos = 1 pessoa do plural). De Gênero e Número: A multidão partiu. Ninguém os detém. (Multidão = feminino e singular; os = masculino e plural).

ELEMENTOS DA COMUNICAÇÃO E FUNÇÕES DA LINGUAGEM



Este conteúdo é importante, pois com ele podemos entender como se processa a linguagem para a comunicação. Quase sempre o ENEM e alguns vestibulares apresentam questões com este conteúdo.
Por isso, estude-o e relembre os conceitos sobre os "Elementos de comunicação" e "Funções da Linguagem".


Johniere Alvesa Ribeiro

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Elementos da comunicação
emissor - emite, codifica a mensagem
receptor - recebe, decodifica a mensagem
mensagem - conteúdo transmitido pelo emissor
código - conjunto de signos usado na transmissão e recepção da mensagem
referente - contexto relacionado a emissor e receptor
canal - meio pelo qual circula a mensagem
Obs.: as atitudes e reações dos comunicantes são também referentes e exercem influência sobre a comunicação

Funções da Linguagem

Função referencial ou denotativa: transmite uma informação objetiva, expõe dados da realidade de modo objetivo, não faz comentários, nem avaliação. Geralmente, o texto apresenta-se na terceira pessoa do singular ou plural, pois transmite impessoalidade. A linguagem é denotativa, ou seja, não há possibilidades de outra interpretação além da que está exposta.
Em alguns textos é mais predominante essa função, como: científicos, jornalísticos, técnicos, didáticos ou em correspondências comerciais.

Por exemplo: “Bancos terão novas regras para acesso de deficientes”. O Popular, 16 out. 2008.

Função emotiva ou expressiva: o objetivo do emissor é transmitir suas emoções e anseios. A realidade é transmitida sob o ponto de vista do emissor, a mensagem é subjetiva e centrada no emitente e, portanto, apresenta-se na primeira pessoa. A pontuação (ponto de exclamação, interrogação e reticências) é uma característica da função emotiva, pois transmite a subjetividade da mensagem e reforça a entonação emotiva. Essa função é comum em poemas ou narrativas de teor dramático ou romântico.

Por exemplo: “Porém meus olhos não perguntam nada./ O homem atrás do bigode é sério, simples e forte./Quase não conversa./Tem poucos, raros amigos/o homem atrás dos óculos e do bigode.” (Poema de sete faces, Carlos Drummond de Andrade)

Função conativa ou apelativa: O objetivo é de influenciar, convencer o receptor de alguma coisa por meio de uma ordem (uso de vocativos), sugestão, convite ou apelo (daí o nome da função). Os verbos costumam estar no imperativo (Compre! Faça!) ou conjugados na 2ª ou 3ª pessoa (Você não pode perder! Ele vai melhorar seu desempenho!). Esse tipo de função é muito comum em textos publicitários, em discursos políticos ou de autoridade.

Por exemplo: Não perca a chance de ir ao cinema pagando menos!

Função metalinguística: Essa função refere-se à metalinguagem, que é quando o emissor explica um código usando o próprio código. Quando um poema fala da própria ação de se fazer um poema, por exemplo. Veja:

“Pegue um jornal
Pegue a tesoura.
Escolha no jornal um artigo do tamanho que você deseja dar a seu poema.
Recorte o artigo.”

Este trecho da poesia, intitulada “Para fazer um poema dadaísta” utiliza o código (poema) para explicar o próprio ato de fazer um poema.

Função fática: O objetivo dessa função é estabelecer uma relação com o emissor, um contato para verificar se a mensagem está sendo transmitida ou para dilatar a conversa.
Quando estamos em um diálogo, por exemplo, e dizemos ao nosso receptor “Está entendendo?”, estamos utilizando este tipo de função ou quando atendemos o celular e dizemos “Oi” ou “Alô”.

Função poética: O objetivo do emissor é expressar seus sentimentos através de textos que podem ser enfatizados por meio das formas das palavras, da sonoridade, do ritmo, além de elaborar novas possibilidades de combinações dos signos lingüísticos. É presente em textos literários, publicitários e em letras de música.

Por exemplo: negócio/ego/ócio/cio/0

Na poesia acima “Epitáfio para um banqueiro”, José de Paulo Paes faz uma combinação de palavras que passa a ideia do dia a dia de um banqueiro, de acordo com o poeta.